Conta de luz deve ficar mais cara com avanço da seca e bandeiras vermelhas em 2026

O fim do período chuvoso em abril já colocou o setor elétrico brasileiro em estado de atenção para os próximos meses. A expectativa de especialistas é de aumento nas tarifas de energia em 2026, com maior frequência de bandeiras vermelhas ao longo do ano.

A mudança no cenário climático ocorre em meio aos efeitos do El Niño, fenômeno que aquece as águas do Pacífico e costuma provocar estiagem nas regiões Norte e Nordeste do país.

Bandeira amarela já entrou em vigor

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou no fim de abril o acionamento da bandeira tarifária amarela para maio, após meses de bandeira verde.

Segundo a agência, a medida ocorreu por causa da redução das chuvas na transição entre o período úmido e o seco.

Com isso, consumidores já passaram a pagar valor adicional na conta de luz.

Especialistas projetam bandeiras vermelhas

Para a reportagem do jornal O Globo, o economista Flávio Serrano, do Banco BMG, projetou um cenário ainda mais pressionado nos próximos meses.

Segundo ele, o país pode entrar em bandeira vermelha patamar 1 a partir de junho, avançar para a vermelha patamar 2 entre julho e setembro e retornar ao patamar 1 em outubro.

A previsão do economista é de uma alta de aproximadamente 9% na energia elétrica ao longo deste ano.

Além disso, Serrano avalia que o aumento da conta de luz deve pressionar a inflação nos próximos meses.

Reservatórios preocupam setor elétrico

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste operam com cerca de 65,6% da capacidade.

Já o sistema Sul apresenta situação mais delicada, com aproximadamente 46,4% de armazenamento.

Enquanto isso, os subsistemas Norte e Nordeste seguem próximos da capacidade máxima.

Uso de termelétricas deve aumentar custos

O Ministério de Minas e Energia informou que o país deve ampliar o uso de usinas termelétricas nos próximos meses para preservar reservatórios e garantir segurança energética durante o período seco.

Como as termelétricas possuem custo mais elevado, o acionamento dessas usinas acaba impactando diretamente as tarifas pagas pelos consumidores.

Modelo do setor também é alvo de críticas

Especialistas do setor elétrico afirmam que o encarecimento da energia não depende apenas da falta de chuvas.

Ainda para a reportagem, o diretor da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia, Victor Hugo Iocca, afirmou que o modelo matemático usado na formação dos preços estaria pressionando as tarifas de forma excessivamente conservadora.

Estudos da consultoria Thymos Energia também apontam falhas na calibragem do sistema de precificação.

Brasil enfrenta excesso de geração

Apesar da expectativa de alta nas tarifas, o sistema elétrico brasileiro vive atualmente um cenário de excesso de geração de energia.

Segundo especialistas, o país produz mais energia do que consome em determinados períodos, principalmente com fontes renováveis, como solar e eólica.

Para evitar sobrecarga no sistema, o ONS interrompe parte dessa geração.

De acordo com cálculos da consultoria Volt Robotics, cerca de 20% da energia solar e eólica disponível deixou de ser utilizada no ano passado.

Os cortes teriam provocado prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões para empresas do setor.

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