Mesmo após medidas adotadas pelo governo federal desde o início da guerra no Irã, em fevereiro, os preços dos combustíveis já acumulam alta média de 6,8% no Brasil neste ano.
Com a continuidade da crise no Oriente Médio e o avanço das cotações do petróleo, economistas avaliam que a pressão sobre os preços pode dificultar a continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central do Brasil.
Diesel lidera alta nos combustíveis
Entre março e maio, praticamente todos os combustíveis registraram aumento nos preços médios de revenda.
O maior avanço ocorreu no diesel S10, que subiu 17,1% no período. Em seguida aparecem:
- diesel comum: +15,1%;
- gasolina comum: +5,7%;
- gasolina aditivada: +5,2%;
- GNV: +5,1%;
- gás de cozinha: +4,3%.
O preço médio do botijão de gás chegou a atingir R$ 114,94, maior valor da série histórica da Agência Nacional do Petróleo, iniciada em 2004.
Inflação começa a se espalhar pela economia
Especialistas, ouvidos pelo jornal O Globo, afirmam que os aumentos já começaram a impactar outros setores da economia, principalmente por meio do transporte e do frete.
Com isso, alimentos, serviços e produtos industrializados também passaram a registrar alta.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os alimentos subiram 1,34% em abril. Produtos como tomate, cenoura, leite longa vida e carnes lideraram os aumentos.
Governo tenta conter impacto
Para tentar reduzir os efeitos da alta do petróleo, o governo anunciou subsídios para combustíveis como diesel, biodiesel, querosene de aviação, gasolina e gás de cozinha. As medidas somam cerca de R$ 13 bilhões.
Além disso, o governo apresentou uma proposta de subvenção para a gasolina que pode chegar a R$ 0,89 por litro, embora o valor inicial deva variar entre R$ 0,40 e R$ 0,45.
O Palácio do Planalto também espera a aprovação, no Congresso, de um projeto que autoriza financiar as desonerações com arrecadação extra obtida pela alta do petróleo.
Mercado vê risco para os juros
Economistas avaliam que a pressão inflacionária pode interromper o ciclo de cortes da taxa Selic. O economista Flávio Serrano, do Banco BMG, projeta que os juros podem encerrar o ano próximos de 14%.
Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano.
Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, caso o conflito no Oriente Médio continue por mais tempo, o aumento dos combustíveis tende a contaminar de forma mais ampla a estrutura de preços da economia.
Petrobras ainda não reajustou gasolina
Apesar da alta no mercado internacional, a Petrobras ainda não reajustou oficialmente o preço da gasolina. No entanto, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou recentemente que um reajuste deve ocorrer “já, já”.
Economistas avaliam que uma eventual alta promovida pela Petrobras pode provocar uma nova rodada de pressão inflacionária nas próximas semanas.
Incerteza internacional mantém mercado em alerta
Analistas apontam que o cenário internacional segue imprevisível por causa da guerra no Oriente Médio e das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã.
Além disso, especialistas afirmam que os preços do petróleo podem continuar elevados mesmo após uma eventual redução das tensões, devido aos impactos sobre a infraestrutura energética global.




