O ex-banqueiro Daniel Vorcaro usou o Banco Master para transferir recursos a familiares e sócios por meio de engenharia financeira, segundo investigações da Polícia Federal. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro. A informação é da Folha de São Paulo.
O esquema envolvia venda de CDBs com remuneração acima da média do mercado, captando mais de R$ 50 bilhões de pessoas físicas via plataformas de investimento. Os recursos captados eram direcionados a fundos de crédito que tinham o próprio Master como único investidor.
Dentro dos fundos, o dinheiro era emprestado a empresas ligadas a Vorcaro, sua família e sócios, sem destinação produtiva. Dos R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master nesses fundos, R$ 1,8 bilhão foi para empresas vinculadas aos próprios sócios do banco.
A Clínica Mais Médico recebeu R$ 361,1 milhões de um fundo controlado pelo Master. A clínica estava registrada em nome de um laranja com procuração vinculada a pessoa ligada à família de Vorcaro.
As investigações identificaram conta bancária de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, com saldo superior a R$ 2,2 bilhões. Entre os beneficiários também estão a irmã Natalia, o primo Felipe e parentes de João Carlos Mansur, dono da administradora Reag.
Os fundos aplicavam em CDBs do próprio Master, que eram resgatados gradualmente para transferir recursos a pessoas do círculo de Vorcaro. O percurso percorria uma cadeia de CNPJs até chegar a contas ligadas ao ex-banqueiro.
O esquema também inflava os ativos do banco por meio de certificados de ações do extinto Besc, adquiridos por fundos que supervalorizavam artificialmente esses papéis. A valorização fictícia permitia ao Master emitir volume crescente de CDBs.
As condutas descritas configuram gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro, segundo o advogado Adilson Bolico. As penas previstas chegam a 12 anos de reclusão para gestão fraudulenta e 10 anos para lavagem.




