Escândalo do Banco Master expõe falhas em órgãos de controle e prejuízo bilionário

O escândalo envolvendo o Banco Master já é apontado como a fraude bancária mais custosa da história do país, com prejuízos estimados em R$ 60 bilhões. A dimensão do caso levou o ministro do STF Flávio Dino a questionar publicamente como as irregularidades passaram despercebidas durante tanto tempo.

“Como ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul, desfilando na frente de todo mundo”, afirmou o ministro na semana passada.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, especialistas avaliam que o caso não foi resultado apenas de falhas individuais, mas de um sistema regulatório, político e jurídico que favorece a omissão em vez da denúncia.

Especialistas apontam incentivo à omissão

O advogado José Andrés Lopes da Costa, especialista em regulação bancária, afirmou que o Brasil possui leis robustas e profissionais qualificados, mas que a dinâmica de fiscalização foi sendo contaminada nos últimos anos.

Para ele, existem duas leituras possíveis sobre o caso Master. A primeira envolve a hipótese de que autoridades tenham ignorado sinais claros de irregularidades. A segunda, considerada mais estrutural, aponta que os sistemas de controle não oferecem incentivos para que agentes públicos ajam preventivamente.

Segundo Costa, muitos servidores entendem que “há mais a perder vendo do que não vendo”, devido aos riscos profissionais e políticos envolvidos em denúncias ou ações preventivas.

Casos na Caixa e CVM reforçam críticas

A reportagem destaca episódios recentes que exemplificam essa dinâmica. Em 2024, três gestores da Caixa Asset elaboraram um parecer contrário à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, classificando a operação como arriscada e suspeita. Os três acabaram afastados de suas funções.

Já em 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisou um caso envolvendo o Master, a Ambipar e o empresário Nelson Tanure em uma suspeita de manipulação de mercado. O então presidente da autarquia, João Pedro Nascimento, votou contra o pedido das empresas e renunciou nove dias depois.

O sucessor interino, Otto Lobo, reverteu a decisão e deu ganho de causa às empresas. Posteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Lobo para permanecer definitivamente no comando da CVM.

“Fraude mais cara da história”, dizem analistas

As perdas estimadas com o caso Master superam crises bancárias registradas nas últimas duas décadas e até mesmo os prejuízos calculados na Operação Lava Jato, que variaram entre R$ 29 bilhões, segundo o TCU, e R$ 42 bilhões, conforme estimativas da Polícia Federal.

O economista e colunista da Folha Marcos Lisboa também apontou outro fator que contribui para a lentidão dos órgãos de controle: o receio de sanções contra servidores que tentem agir preventivamente.

Segundo ele, funcionários públicos que atuam para evitar fraudes antes que os danos se tornem incontestáveis podem enfrentar processos judiciais prolongados e questionamentos de órgãos de fiscalização.

Para os especialistas ouvidos pela reportagem, o país precisará reformular mecanismos de proteção institucional e incentivo dentro da burocracia regulatória para evitar novos escândalos semelhantes.

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