As apostas online, conhecidas como bets, já alcançam uma parcela significativa do público jovem no Brasil. Um levantamento realizado pela Ipsos e encomendado pela Unico aponta que 11% dos jovens brasileiros fizeram apostas em 2025.
Além disso, o estudo mostra que 9% dos adolescentes apostaram nos últimos quatro meses do ano.
Segundo os dados obtidos pelo Estadão, o maior índice de apostadores aparece entre meninos de 16 e 17 anos. Nessa faixa etária, 20% dos adolescentes afirmaram já ter realizado apostas online.
Entre as meninas, o crescimento mais expressivo ocorreu na faixa entre 14 e 15 anos. Nesse grupo, 14% disseram já ter apostado em plataformas online, incluindo jogos como o chamado “tigrinho”.
O percentual é mais que o triplo do registrado entre meninas de 10 a 13 anos. Mesmo assim, nessa faixa mais jovem, 4% afirmaram já ter participado de apostas virtuais.
Falhas na verificação de idade preocupam especialistas
Para especialistas ouvidos pelo Estadão, o principal problema está na fragilidade dos mecanismos de controle etário utilizados na internet.
Segundo a reportagem, muitas plataformas ainda funcionam apenas com sistemas de autodeclaração, nos quais basta clicar em uma opção informando ter mais de 18 anos para acessar conteúdos e serviços restritos. Assim, esse modelo facilita o acesso de adolescentes às plataformas de apostas.
Curiosidade e promessa de dinheiro fácil impulsionam apostas
De acordo com o levantamento, a curiosidade aparece como o principal motivo que leva os jovens às bets, citada por 41% dos entrevistados.
Em seguida, aparece a possibilidade de ganhar dinheiro fácil, mencionada por 34% dos adolescentes.
Já a influência de criadores de conteúdo digital e da mídia teve impacto menor na decisão de apostar. Apenas 9% dos jovens apontaram esses fatores como motivação principal. O estudo entrevistou 1.200 jovens entre 10 e 17 anos em todo o País.
As entrevistas ocorreram entre os dias 21 de agosto e 1º de setembro de 2025.
ECA Digital prevê medidas contra vício em apostas
Especialistas avaliam que o chamado Estatuto da Criança e do Adolescente Digital pode ajudar a reduzir riscos ligados ao uso excessivo de plataformas digitais por adolescentes.
A legislação entrou em vigor em março deste ano e prevê mecanismos de proteção contra comportamentos compulsivos em ambientes virtuais.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, um dos principais pontos da norma envolve justamente a prevenção ao vício.
O texto determina que plataformas digitais implementem mecanismos para evitar o uso excessivo, problemático ou compulsivo por crianças e adolescentes.




