Banco Central e BRB negociam saída para rombo de R$ 8,8 bilhões sem aval do governo federal

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

No feriado de 1º de maio, diretores do Banco Central e executivos do BRB se reuniram em sigilo para discutir a crise de liquidez do banco estatal de Brasília, sem registro em agendas oficiais. A apuração é de Malu Gaspar n’O Globo.

Na reunião de duas horas, o BC pressionou por uma solução imediata e chegou a mencionar intervenção ou fatiamento do banco, o que os dirigentes do BRB interpretaram como pressão pela privatização.

O BRB acumula um rombo patrimonial de R$ 8,8 bilhões e paga multa diária de R$ 30 mil ao BC desde o fim de março, quando deixou de publicar seu balanço para evitar liquidação imediata.

banco anunciou a venda de uma carteira de ativos à gestora Quadra por R$ 4 bilhões e afirmou que o dinheiro entrará no caixa até 20 de maio, cobrando do BC que respeite o prazo estabelecido pelo próprio regulador.

FGC e um consórcio liderado pelo Bradesco exigem aval da União para liberar outros R$ 4,5 bilhões ao BRB, mas o presidente Lula instruiu bancos estatais e o Tesouro a não participar do salvamento.

Entre os ativos que podem ser vendidos estão R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de tribunais de cinco estados — recursos de natureza sensível, usados como garantias em processos judiciais.

Caso as negociações fracassem, a privatização total ou parcial do BRB deixa de ser hipótese e passa a ser saída concreta, com o BC preferindo soluções de mercado a uma intervenção em banco estatal às vésperas de eleição.

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