A turbulência nos mercados globais se intensificou nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, quando o dólar abriu cotado a R$ 4,97. Este movimento reflete a escalada das tensões entre EUA e Irã no Oriente Médio, um cenário que impulsiona os preços do petróleo e, consequentemente, a inflação no Brasil, ameaçando diretamente o poder de compra e o planejamento financeiro das famílias brasileiras.
As expectativas de um cessar-fogo duradouro no Oriente Médio diminuíram drasticamente. O presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou a visita de enviados diplomáticos ao Paquistão, o que foi interpretado como um sinal de recuo nas negociações de paz. Em resposta, autoridades regionais reportaram que o Irã sinalizou a intenção de encerrar o livre controle sobre o estratégico Estreito de Ormuz — rota vital para o transporte de petróleo do Golfo Pérsico — caso os americanos não suspendam o bloqueio econômico imposto ao país. Este impasse complica a navegação de petroleiros e eleva a preocupação global com o fornecimento de energia.
A gravidade da situação levou a Casa Branca a agir. Na sexta-feira, o governo Trump concedeu uma prorrogação de 90 dias à isenção da Lei Jones, uma medida que permite o transporte de petróleo e gás natural por embarcações não americanas. Essa decisão, tomada em razão do conflito com o Irã, visa garantir o fluxo de energia e evitar um colapso ainda maior nos mercados.
No cenário econômico doméstico, o impacto da crise externa já se faz sentir. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, revelou a sétima alta consecutiva nas projeções de inflação para 2026, passando de 4,8% para 4,86%. A pressão do petróleo, que opera acima de US$ 100 o barril após a escalada no Oriente Médio, é um dos principais fatores por trás dessa revisão. Para o cidadão, isso significa um custo de vida mais elevado, com aumento de preços em itens básicos e combustíveis.
Mesmo com a revisão para cima da inflação, a previsão para a taxa Selic no fim de 2026 manteve-se em 13% ao ano, sinalizando uma expectativa de queda dos juros ao longo do ano. Contudo, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 sofreu um leve ajuste para baixo, de 1,86% para 1,85%. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,30 para R$ 5,25, mas os movimentos recentes mostram a fragilidade dessas previsões diante da volatilidade internacional.
Como os mercados reagiram nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026:
- Dólar: Abriu em R$ 4,97. O acumulado da semana é de +0,29%; no mês, -3,50%; e no ano, -8,95%.
- Ibovespa: O índice acumulou -2,55% na semana, +1,75% no mês e +18,38% no ano.
- Petróleo Brent: O barril, referência internacional, subia pouco mais de 1%, cotado a US$ 106,47, após ter atingido cerca de US$ 108,50 no início da sessão.
As negociações entre EUA e Irã seguem no foco dos investidores. Enquanto Donald Trump exige que o Irã procure Washington para um acordo, o ministro das Relações Exteriores iraniano se reuniu com Vladimir Putin na Rússia, aliada de Teerã. Diplomatas paquistaneses continuam atuando como mediadores, buscando uma saída para o impasse que mantém a região do Estreito de Ormuz sob tensão e com pouco movimento de navios.
Em Wall Street, os contratos futuros operavam perto da estabilidade na manhã desta segunda-feira, 27 de abril de 2026. O Dow Jones caía 0,09%, o S&P 500 permanecia estável e o Nasdaq subia 0,15%. Na Europa, o índice STOXX 600 avançava 0,34%, com DAX da Alemanha em alta de 0,3% e CAC 40 de Paris em 0,1%. O FTSE 100 do Reino Unido recuava 0,1%. Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única: Shanghai Composite subiu 0,16%, CSI 300 avançou 0,03%, enquanto Hang Seng caiu 0,20%. No Japão, o Nikkei teve alta de 1,38%, e na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 2,15%.





