Sob a presidência Hugo Motta (Rep-PB), a Câmara dos Deputados consolidou o modelo de gestão das emendas parlamentares como instrumento de poder e disciplina partidária.
Implantou-se a “coleira virtual”, no dizer de um deputado, em que se usa tecnologias avançadas para reforçar práticas políticas arcaicas, e como ferramenta de mando.
A liberação das emendas obedece a uma matemática implacável: cada voto alinhado à orientação do Líder da bancada rende uma fatia do bolo.
Liberar ou reter recursos para controlar votações não é coerção explícita, é um mecanismo silencioso, mensurável e, por isso, ainda mais eficaz.
Leis são aprovadas pelo celular até em sessões remotas, muitas vezes na calada da noite ou às vésperas de recesso, com plenário vazio.
Onde o plenário se esvazia e os debates se tornam relíquia, resta um legislativo domesticado. Um modelo que é o nirvana para quem manda.
O parlamentar que diverge, que se ausenta ou que vota contra a “orientação do partido” simplesmente vê o fluxo de verbas secar.
Deu no Diário do Poder




