A crescente tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levanta sérias preocupações para a condução das próximas eleições no Brasil. Em análise feita nesta quarta-feira, 22/04/2026, pelo analista político Matheus Teixeira ao Live CNN, a divergência se aprofunda com recentes decisões do STF que revertem determinações do TSE, como observado no caso das eleições no Rio de Janeiro, e antecipam debates eleitorais. Este racha entre as cortes pode comprometer a segurança jurídica e a lisura do processo democrático, impactando diretamente a confiança da sociedade.
O ápice dessa desarmonia se manifestou durante o julgamento do mandato tampão para o governo do Rio de Janeiro, onde ministros do Supremo expressaram publicamente críticas à forma como o TSE conduzia seus processos. Eles apontaram que pedidos de vista sucessivos criaram um ambiente de indefinição política. “Essa situação revelou a existência de um segmento dentro do Supremo que questiona a gestão de casos pelo TSE”, destacou Teixeira em sua análise.
A atuação do STF demonstra uma antecipação de discussões tradicionalmente reservadas à esfera eleitoral, conforme ilustram três ações recentes. Entre elas, destaca-se o inquérito iniciado por Alexandre de Moraes contra Flávio Bolsonaro, sob a alegação de calúnia contra Lula; a solicitação de Gilmar Mendes para que a PGR investigue o senador Alessandro Vieira, após sua tentativa de indiciar ministros na CPI do crime organizado; e o pedido, também de Gilmar, para que Moraes investigue Romeu Zema no inquérito das fake news. Todos os envolvidos são pré-candidatos a cargos eletivos nas próximas eleições.
“Em todas as situações, esses políticos viram o início de procedimentos contra si, seja na PGR ou no próprio Supremo. Teoricamente, a análise de ataques e condutas de pré-candidatos pertenceria ao âmbito eleitoral. Contudo, essas questões estão sendo tratadas no STF”, observou Teixeira. Ele ainda alertou para a mudança iminente na liderança do TSE: “O Tribunal Superior Eleitoral, que na eleição passada teve Alexandre de Moraes em uma presidência incisiva, agora será comandado por Cássio Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência”.
Nova composição do TSE gera preocupação
A mudança na cúpula do TSE agrava a situação. Cássio Nunes Marques assumirá a presidência, e André Mendonça a vice-presidência, marcando a primeira eleição com ministros indicados por Jair Bolsonaro em posições de liderança na corte eleitoral. A possível atuação mais branda do Tribunal Superior Eleitoral no combate à desinformação causa apreensão em ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. “Essa vertente no Supremo já iniciou uma ofensiva contra o que consideram ‘fake news’ de candidatos, agindo antes mesmo que o TSE pudesse se manifestar sobre o tema”, explicou Teixeira.
A polarização, já presente no STF em debates sobre o Código de Ética ou a crise do Banco Master, agora transborda para a relação com o TSE. A saída de Carmen Lúcia da corte eleitoral e a chegada de Dias Toffoli alteram ainda mais a composição do tribunal, em um ano eleitoral que antevê o uso massivo de redes sociais e inteligência artificial para a disseminação de informações, tornando a firmeza das instituições ainda mais crucial para a democracia.




