Banco Master tentou contratar agência de influenciadores para melhorar imagem

A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro registros de negociações com a agência Spark para contratar influenciadores digitais em favor do Banco Master. O objetivo era publicar conteúdos favoráveis à instituição em meio a suspeitas sobre sua solidez financeira. A informação foi obtida com exclusividade pelo jornal Estadão.

A Spark confirmou ter recebido a proposta em outubro de 2024, mas afirmou que recusou o projeto por considerá-lo incompatível com seus princípios éticos. Segundo a agência, ao tomar conhecimento do real teor da campanha — endossar a solidez do banco para investidores —, cancelou imediatamente os orçamentos. Nenhum contrato chegou a ser firmado com influenciadores.

O influenciador indicado para a campanha era Renoir Vieira, especializado em mercado financeiro. Ele confirmou ter recebido a proposta, mas negou tê-la aceito, afirmando não publicar conteúdos patrocinados sobre bancos. Uma publicação sua em abril de 2025 defendendo a compra do Master pelo BRB teria sido, segundo ele, apenas sua opinião pessoal.

Esta é a segunda agência envolvida nas investigações, que já apuram a contratação de influenciadores pela agência Mithi, ligada ao empresário Thiago Miranda. A PF apura se Vorcaro e aliados pagaram criadores de conteúdo para atacar autoridades do Banco Central após sua prisão, em março de 2025. O caso também envolve o jornalista Léo Dias, que teria recebido R$ 9,9 milhões do Master.

Preso desde 4 de março, Vorcaro negocia atualmente um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. As investigações apontam que os ataques ao Banco Central seguiriam o mesmo padrão operacional adotado antes da liquidação do banco. O caso expõe uma possível rede organizada de desinformação para proteger os interesses da instituição financeira.

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