Impeachment, prisão e mudança de governo: entenda a crise envolvendo Santiago Peña

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi destituído pelo Senado e colocado em prisão domiciliar na sexta-feira (6), em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno Bank. As decisões ocorreram em menos de 48 horas, após Peña anunciar que deixaria o cargo, ter o impeachment aprovado pelo Congresso e receber uma ordem de detenção do Ministério Público.

A crise atingiu cerca de 3 milhões de clientes do Ueno Bank, que ficaram sem acesso às contas e aos recursos mantidos na instituição. Peña é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas ao banco, do qual foi acionista até março de 2025, por meio do Grupo Vázquez. Ele nega ter cometido irregularidades.

Leia também: Santiago Peña sofre impeachment no Paraguai e é preso por causa da quebra do Ueno Bank

A ordem de prisão também alcançou Carlos Dagoberto Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Peña deverá permanecer em sua residência, em Assunção, sob custódia policial, até ser apresentado ao Ministério Público. Entre as possíveis irregularidades investigadas estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. As acusações ainda estão em apuração.

Crise começou com intervenção no Ueno Bank

A crise teve início na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e o processo de liquidação do Ueno Bank. A medida foi adotada após a identificação de problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.

O banco atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos de entidades públicas, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A intervenção bloqueou o acesso de clientes às contas e provocou repercussão política no país.

Peña manteve participação acionária no Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesse e a atuação do governo e do Banco Central na fiscalização da instituição. A crise também levou à saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, na terça-feira (3), após pedido de Peña.

Como ocorreu o impeachment

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Peña. A votação terminou com 78 votos favoráveis e nenhum contrário, permitindo que a acusação fosse encaminhada ao Senado.

Antes da conclusão do processo, o então presidente anunciou que pretendia renunciar ao cargo. Ele justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade do país e evitar o agravamento da crise institucional.

A renúncia, no entanto, dependia de aprovação do Congresso. A sessão que discutiria o pedido foi suspensa por falta de quórum, e o processo de impeachment continuou. Parlamentares da oposição resistiram à saída voluntária porque ela poderia garantir a Peña a condição de senador vitalício e a imunidade associada ao cargo.

Na sexta-feira (6), o Senado retomou a análise do processo. A defesa pediu a ampliação do prazo para apresentação dos argumentos de 12 para 72 horas, mas a solicitação foi rejeitada.

Peña não compareceu à sessão e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. Ao final da votação, o impeachment foi aprovado por 44 votos favoráveis e uma abstenção, encerrando seu mandato presidencial. Agência Brasil+1

Ex-presidente é colocado em prisão domiciliar

Pouco depois da destituição, o Ministério Público determinou a detenção de Peña e de Carvallo, no âmbito da investigação sobre a crise do Ueno Bank.

Agentes da Polícia Nacional foram à residência do ex-presidente, em Assunção, na noite de sexta-feira (6), para cumprir a ordem. Peña foi colocado em prisão domiciliar e deverá comparecer ao Ministério Público neste sábado (7).

O promotor Christian Benítez afirmou que as acusações estão em fase de definição e que as provas serão analisadas antes da formalização dos possíveis crimes. A decisão sobre as medidas judiciais posteriores caberá à Justiça.

Deixe um comentário

Rolar para cima