A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou os operadores de dois aviões privados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A agência quer saber se eles fizeram transporte remunerado de passageiros. As aeronaves, de prefixos PP-BIO e PS-FSW, não têm autorização para táxi aéreo e podem ter levado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voos no ano passado.
A notificação está em um despacho de 28 de outubro assinado pelo superintendente de Operações da Aviação Geral da Anac, Edvaldo Rodrigues de Oliveira. O caso foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pelo Estadão, que também teve acesso ao documento.
No despacho, Oliveira diz que os ofícios perguntam, entre outros pontos, qual era a natureza dos voos feitos no período investigado pelos parlamentares. “Nesse momento, a SAG aguarda a resposta a tais ofícios, e somente após as respostas será possível analisarmos ocorrência de eventual irregularidade”, escreveu.
O voo de 7 de agosto
O despacho da Anac cita uma reportagem do Estadão publicada em abril. Ela apontou o PS-FSW como um dos aviões ligados a Vorcaro que podem ter levado Moraes de Brasília para São Paulo em 7 de agosto de 2025.
Naquela quinta-feira, depois da sessão do STF, Moraes entrou às 19h no terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília. A informação consta de dados enviados à CPI do Crime Organizado pela Inframérica, que administra o aeroporto. Depois disso, três aeronaves partiram do terminal para Congonhas, em São Paulo, segundo registros da Aeronáutica analisados pelo jornal:
- 19h16: o Falcon 2000 PS-FSW, da empresa FSW PSE, que tem entre os sócios Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Em documento obtido pelo Estadão, o piloto afirma que Moraes não estava a bordo.
- 20h05: o Phenom 300 PR-SAD, da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. Segundo a Anac, esse avião tem autorização para táxi aéreo.
- 20h29: uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.
O PP-BIO
O outro avião citado pela Anac, o PP-BIO, também era operado pela Prime Aviation, mas não tinha autorização para táxi aéreo. Segundo a Folha de S.Paulo, Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foram registrados como passageiros em um hangar de jatos executivos em Brasília em 16 de outubro de 2025. No mesmo dia, o PP-BIO decolou dali para o aeroporto Catarina, em São Roque (SP).
Em abril, o escritório de Viviane Barci disse em nota que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”. Segundo o escritório, “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”. Em fevereiro de 2024, o Banco Master fechou um contrato de R$ 129 milhões em três anos com o escritório.
Também em abril, o gabinete de Moraes afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.


