A pneumonia foi a causa imediata da morte de Lito Sousa, aos 59 anos. O influenciador, criador do canal “Aviões e Músicas”, havia sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e de rápida evolução. A viúva, Mila Seidl, relatou que ele perdeu progressivamente os movimentos e apresentou dificuldades respiratórias nos últimos dias de vida.
Em entrevista ao podcast “Inteligência Ltda.”, Mila contou que o marido chegou a perder os movimentos dos braços e das pernas, além da capacidade de sustentar o próprio tronco. Posteriormente, ele desenvolveu problemas respiratórios e recebeu o diagnóstico de pneumonia.
Lito morreu em 1º de outubro, após passar por cuidados paliativos em casa. A evolução do quadro levantou dúvidas sobre como uma doença que compromete o sistema nervoso pode favorecer complicações nos pulmões.
Como a doença neurológica pode favorecer a pneumonia?
A doença de Creutzfeldt-Jakob é causada por príons, proteínas anormais que provocam danos progressivos no sistema nervoso. Entre os sintomas estão alterações de memória, dificuldades de coordenação motora, problemas na fala e perda da capacidade de realizar atividades cotidianas.
Com o avanço da doença, algumas funções essenciais, como engolir e proteger as vias respiratórias, também podem ser comprometidas.
Quando a pessoa apresenta dificuldade para engolir, saliva, líquidos ou alimentos podem entrar nas vias respiratórias e alcançar os pulmões. Esse processo é chamado de aspiração e pode provocar uma pneumonia aspirativa.
A redução da mobilidade também pode dificultar a eliminação de secreções pulmonares, aumentando o risco de complicações respiratórias. Em pacientes debilitados, uma infecção nos pulmões pode apresentar evolução mais grave.
Não há, porém, informações públicas suficientes para afirmar que a pneumonia de Lito tenha sido provocada especificamente por aspiração.
A pneumologista Adriana Carvalho, fundadora do Instituto Brisa, em Uberlândia (MG), explica que infecções pulmonares podem ter consequências mais delicadas em pessoas com limitações físicas e neurológicas.
Febre, tosse, falta de ar, respiração acelerada e redução da oxigenação estão entre os sinais de alerta. Em pacientes muito debilitados, entretanto, os sintomas podem não se manifestar da maneira mais habitual.
Por que a família optou pelos cuidados paliativos?
Mila Seidl também relatou que a família decidiu não submeter Lito à intubação quando o quadro de saúde se agravou. Segundo ela, o influenciador já havia manifestado que não desejava passar por procedimentos invasivos para prolongar a vida em uma situação considerada irreversível.
A decisão foi respeitada pela equipe responsável pelo acompanhamento, que priorizou o conforto e o controle dos sintomas.
Os cuidados paliativos são destinados a pessoas que enfrentam doenças graves e têm como objetivo aliviar o sofrimento e preservar a qualidade de vida. O acompanhamento considera as necessidades físicas e emocionais do paciente, além de oferecer suporte aos familiares.
O trabalho também envolve decisões sobre intervenções médicas, controle de sintomas e medidas para garantir conforto durante a evolução da doença.
“O tratamento não se resume à prescrição de um medicamento. O cuidado envolve a segurança do paciente, a manutenção das capacidades funcionais e o suporte à família. Cada pessoa apresenta necessidades diferentes, e o acompanhamento deve ser individualizado”, orienta o neurocirurgião Leandro Miranda Macedo.



