Bolsa cai 17,5% na semana após reeleição de Lula; dólar sobe 9,18%

A reeleição de Lula (PT) para um quarto mandato foi seguida pelas maiores perdas do ano nos ativos domésticos. O Ibovespa recuou 17,5% na semana e fechou outubro com queda de 9,21%, depois de alcançar a marca histórica de 200 mil pontos neste mês.

Levantamento da Elos Ayta, com dados da B3 e publicado em reportagem da Folha de S.Paulo, aponta que o recuo semanal foi o quinto maior desde o início do Plano Real, em julho de 1994. A queda também foi a mais intensa desde a semana encerrada em 20 de março de 2020, no início da pandemia de coronavírus, quando o índice perdeu 18,88%.

No câmbio, o dólar avançou 9,18% na semana, registrando a maior alta semanal de 2026. Em outubro, a moeda acumulou valorização de 5,31% frente ao real, também o maior avanço mensal do ano.

Os juros futuros acompanharam o movimento. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2031 passou de 12,64% para 15,3% entre as sextas-feiras dos dias 23 e 30, uma alta de 266 pontos-base.

Em entrevista para a Folha, Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, explicou que o mercado desfez posições anteriores e passou a reavaliar o cenário econômico. Segundo ela, fatores que sustentavam o interesse pela Bolsa brasileira, como preços descontados das ações, peso das commodities e baixa exposição dos investidores à renda variável, continuam presentes. A incerteza está nas premissas da política econômica do novo governo.

A analista avalia que os ativos podem recuperar valor caso haja previsibilidade fiscal. Para ela, a redução dos juros de longo prazo depende de regras fiscais claras e duradouras. Enquanto essas definições não forem apresentadas, a tendência é de volatilidade elevada.

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