Caso Binance: como hackers roubaram US$ 6,3 bilhões em cripto

Hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, a maior corretora de ativos digitais do mundo, no que a CNN Brasil descreve como o maior roubo da história do setor. Veja o que se sabe até agora.

O que aconteceu?

Segundo a própria Binance e análises de especialistas nos registros da blockchain, os ativos foram retirados de carteiras que a corretora usa para processar transações. Em comunicado na plataforma X, a Binance disse ter pensado, inicialmente, que o ataque envolvia um laptop comprometido. “No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”, acrescentou, sem dar mais detalhes.

Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs, os atacantes comprometeram a “infraestrutura de assinatura” da Binance, sistema que autoriza transações, e emitiram instruções que esvaziaram as carteiras. Conforme os registros da blockchain, a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, a partir de pouco depois das 20h GMT (17h em Brasília) de quinta-feira (29).

“Em termos leigos, o atacante pode não ter roubado a chave do cofre, mas sim sequestrado o sistema que instrui o cofre a liberar o dinheiro”, disse Joshua Chu, advogado de Hong Kong que atua em casos envolvendo criptomoedas.

Quem está por trás do ataque?

Diversas empresas americanas de análise de blockchain afirmam que o ataque tem semelhanças com operações atribuídas a hackers norte-coreanos. A TRM Labs diz que a violação compartilha características com o ataque do ano passado à corretora Bybit, que o FBI atribuiu a hackers da Coreia do Norte, e se diz “altamente confiante” de que o mesmo grupo está por trás do caso da Binance.

O co-CEO da Binance, Richard Teng, disse que a investigação ainda não identificou os autores. A Coreia do Norte nega rotineiramente envolvimento em ataques cibernéticos e roubos de criptomoedas. A missão diplomática do país em Genebra e a embaixada na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

A Chainalysis afirmou que fundos roubados em um ataque no mês passado contra a Bitget estão sendo misturados com os recursos da violação da Binance.

Como a Binance vai cobrir as perdas?

Segundo o site da corretora, ela mantém um fundo de proteção aos usuários, com reserva de US$ 1 bilhão em bitcoins, para casos de violação de segurança. Teng afirmou que as perdas serão cobertas por esse fundo e pelos recursos da empresa.

Onde está o dinheiro?

Cerca de metade dos ativos roubados eram stablecoins, que foram congeladas por emissores como Tether, Circle, Ripple e World Liberty Financial, empreendimento de criptomoedas da família Trump. Isso não significa que as moedas serão devolvidas à Binance, mas limita a capacidade dos atacantes de convertê-las em dinheiro.

Isso é possível porque os emissores das principais stablecoins, como USDT (Tether) e USDC (Circle), podem congelá-las remotamente. O mesmo não vale para bitcoin e ether. A TRM Labs estima que cerca de US$ 2,4 bilhões nessas duas moedas estão fora de alcance, e parte dos fundos já foi usada como garantia em empréstimos em ether.

“Nenhuma empresa emite bitcoin ou ether e nenhuma empresa pode congelar nenhum dos dois”, disse Patrick Tan, consultor jurídico da ChainArgos. “Os bitcoins e ethers só podem ser bloqueados se o atacante os enviar para uma corretora capaz e disposta a congelá-los, ou se as autoridades policiais obtiverem as chaves privadas.”

Participantes do mercado dizem que os atacantes devem misturar as moedas com outros ativos ou usar moedas e corretoras menos conhecidas. “Quanto mais tempo passa, menor a probabilidade de conseguirem transferir esses fundos para outras corretoras ou provedores de pagamento”, afirmou Bernardo Brites, CEO da Trace Finance. Segundo ele, grande parte dos lucros desse tipo de ataque só pode ser lavada nas primeiras horas, e depois os fundos costumam ficar parados por anos.

E agora?

O roubo é o mais recente de uma série de grandes violações no setor. Segundo a TRM Labs, os invasores roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 incidentes no ano passado.

O ataque também abalou a confiança do mercado. As criptomoedas caíram na sexta-feira (30), e o valor total de mercado das stablecoins diminuiu, o que, segundo a reportagem, sugere retirada de dinheiro de ativos digitais.

Com informações da CNN Brasil.

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