Disputa entre Lula e Flávio continua na Justiça Eleitoral após segundo turno

A disputa presidencial terminou nas urnas, mas deve continuar nos tribunais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) são alvos de ao menos 22 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os processos apuram suspeitas de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, entre outras possíveis irregularidades.

Lula venceu o segundo turno com 64,26 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59,83 milhões, ou 48,21%. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o senador havia terminado à frente do petista.

Um levantamento da CNN na consulta pública do TSE identificou Flávio no polo passivo, condição de investigado, em pelo menos sete ações. Lula aparece em outras 15. Parte dos processos trata dos mesmos episódios, mas foi apresentada por diferentes autores.

Ações investigam campanha e mobilização de Flávio

Entre os casos envolvendo o senador está uma ação sobre o filme Dark Horse, que aborda a trajetória da família Bolsonaro. A coligação de Lula questiona possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento e à promoção política da produção, incluindo recursos supostamente ligados ao empresário Daniel Vorcaro.

Outra investigação envolve o canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”. A campanha petista sustenta que o grupo faria parte de uma estrutura de mobilização e distribuição de conteúdo eleitoral.

Também há uma ação que apura suspeitas de apoio ou interferência de grupos dos Estados Unidos em benefício da candidatura do senador.

Desfile de Carnaval e canais digitais estão entre os alvos de Lula

Entre os processos que envolvem o presidente estão duas ações relacionadas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que o homenageou no Carnaval. Os autores questionam o possível uso de recursos públicos e eventual benefício eleitoral.

Outra investigação trata do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, ligado ao deputado federal André Janones (Avante-MG). A campanha de Flávio acusa o grupo de coordenar compartilhamentos e iniciativas de mobilização digital.

Também é alvo de questionamento o envio de mensagens e notificações por canais do governo federal sobre programas como Bolsa Família e Farmácia Popular. A ação levanta suspeitas de uso eleitoral da estrutura pública.

As acusações ainda dependem da análise da Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação de irregularidades.

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