85,1% dos brasileiros veem ministros do STF envolvidos no caso Master, aponta pesquisa

Foto: Rosinei Coutinho/STF

A pesquisa Atlas/Estadão, divulgada na terça-feira (22) mostra que 85,1% dos brasileiros acreditam no envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Banco Master. O percentual de quem discorda é de 4,4%, e 10,5% afirmam não saber.

Em março, quando a mesma pergunta foi feita, 66,1% dos entrevistados acreditavam no envolvimento de ministros. Na época, 14,9% discordavam e 18,9% não sabiam responder.

Os grupos com maior percentual de crença no envolvimento são jovens de 16 a 24 anos (99,3%), moradores da Região Norte (99,2%) e eleitores que não votaram no segundo turno de 2022 (98,7%). Evangélicos também aparecem entre os segmentos com maior adesão à tese, com 95,8%.

Entre os que menos acreditam no envolvimento estão autodeclarados agnósticos ou ateus (14,8%) e pessoas com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil (10,5%). Eleitores acima de 60 anos e apoiadores de Lula em 2022 também apresentam índices menores de concordância.

A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros por recrutamento digital, entre os dias 17 e 21 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O aumento na percepção de envolvimento ocorre após a divulgação de documentos da Operação Compliance Zero. Relatório da Polícia Federal listou 51 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes em 21 dias.

O documento revela que Moraes intermediou contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes. Há registro de um segundo contrato, de R$ 50 milhões, pago por meio da transferência de cotas de aeronaves de Vorcaro.

As mensagens mostram ainda que o banco emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes, a pedido de Viviane Barci de Moraes. O presidente do STF, Edson Fachin, distribuiu os dados extraídos do celular de Vorcaro aos gabinetes dos demais ministros.

Os diálogos citam pagamento de R$ 500 mil ao escritório do filho do ministro Kassio Nunes Marques, que negou ter recebido recursos do banco. Há também registro de pedido feito ao filho do ministro Luiz Fux e de reuniões de Vorcaro com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes.

O ministro Dias Toffoli também é citado no caso, devido a um resort no Paraná ligado ao cunhado de Vorcaro. Mendonça deixou a sociedade de um instituto educacional após a repercussão de sua relação com o banqueiro.

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