Executivos do Master tratavam advogada que recebeu R$ 33 milhões como “sócia” de Gilmar

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Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que executivos do Banco Master davam prioridade a pagamentos destinados à advogada Dalide Corrêa. Em uma das conversas, um diretor jurídico da instituição afirmou que ela seria “sócia” do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dalide recebeu R$ 33 milhões do Banco Master e atuava em negócios relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. A advogada e Gilmar Mendes negam que tenham mantido qualquer sociedade.

Entre os pagamentos citados nas mensagens está uma fatura de R$ 15 milhões. Em agosto de 2024, o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, pediu a Vorcaro que autorizasse o repasse com urgência. Segundo ele, o pagamento estava relacionado a uma decisão favorável em um processo envolvendo precatórios da Usina Catende, em Pernambuco.

Meses depois, em dezembro, Rennó voltou a cobrar a liberação de valores destinados a Dalide. Na mensagem, afirmou que a advogada seria “sócia do GM STF” e pediu autorização para o pagamento.

A proximidade atribuída pelos executivos a Dalide e Gilmar também aparece em outras informações reunidas pela investigação. Em abril de 2024, Vorcaro esteve no gabinete de Gilmar Mendes, no STF, acompanhado de advogados do Banco Master. O encontro tratou de um processo envolvendo precatórios da Usina Alcídia.

De acordo com o gabinete do ministro, Dalide não participou da reunião. Gilmar afirmou que a associação feita pelos executivos do banco é falsa e disse não ter conhecimento da atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. Dalide também negou qualquer relação com o BTG Pactual.

A advogada trabalhou no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes, e deixou a instituição em 2016. O gabinete do ministro informou que ela nunca foi sócia do IDP, mas ocupou o cargo de diretora-geral. Dalide confirmou ter exercido a função por cerca de nove anos e também negou participação societária.

Outro trecho das mensagens obtidas pela PF mostra o executivo Alberto Félix se referindo a Dalide como um “canal direto com o STF”.

Relação com precatórios

Os precatórios tiveram participação relevante nas operações do Banco Master. Segundo a reportagem, esses ativos representavam 47% da carteira da instituição em 2024.

Os títulos estão ligados a disputas judiciais envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro e indenizações relacionadas ao tabelamento de preços praticado pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990. Os processos se prolongam há décadas e envolvem valores bilionários.

Contato com Gilmar

As mensagens também mostram que o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, orientou Vorcaro a se aproximar do ministro em abril de 2024. Feitosa teria se colocado como intermediário entre os dois e classificado a aproximação como “importante para o futuro”.

Naquele mesmo mês, Gilmar recebeu Vorcaro e representantes do Banco Master no STF para tratar do processo relacionado à Usina Alcídia. Segundo o gabinete do ministro, Dalide não esteve no encontro.

Feitosa confirmou que manteve um contrato de consultoria, por período não informado, com uma empresa ligada ao Banco Master. Informações citadas na reportagem apontam que o acordo teria valor de R$ 500 mil por mês.

Com informações de O Globo

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