Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) restringiram o acesso aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal. O material, com cerca de 500 gigabytes, foi enviado a integrantes da Corte após uma disputa interna sobre o acesso ao conteúdo. A informação é do G1.
A análise inclui mensagens, áudios, documentos e registros de atividades no aparelho. Os ministros também verificam o recorte feito pela Polícia Federal nos dados utilizados para elaborar relatórios, com o objetivo de identificar informações relevantes e possíveis lacunas.
Segundo relatos obtidos pelo G1, há preocupação em preservar dados pessoais encontrados na extração e evitar a divulgação de informações relacionadas a investigações que ainda não foram deflagradas.
A PF utilizou o software IPED para organizar e analisar o conteúdo. Peritos também empregaram ferramentas capazes de recuperar dados apagados ou protegidos por senha. A corporação afirmou que as cópias enviadas aos ministros são idênticas à extração original e que o aparelho permanece sob cadeia de custódia.
Receberam cópias do material Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques.
O acesso aos dados ocorre em meio a uma disputa entre ministros sobre o conteúdo do celular e à crise envolvendo o Banco Master. Zanin e Gilmar Mendes haviam pedido acesso integral ao material ao presidente do STF, Edson Fachin. Mesmo sem uma decisão de Fachin, os dois ministros, além de Moraes, determinaram o envio de uma cópia pela PF.
O celular de Vorcaro foi apreendido em 17 de novembro de 2025, durante sua primeira prisão preventiva. A extração identificou conversas do ex-banqueiro com autoridades dos Três Poderes, políticos, parlamentares, diretores do Banco Central e outros interlocutores.
Parte desse conteúdo já foi utilizada em investigações envolvendo os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) e também resultou na divulgação de mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes.
Segundo relatório da PF, Vorcaro e Moraes trocaram mensagens e se encontraram em diferentes ocasiões. O documento também aponta que Moraes teria participado de discussões sobre um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro.
Moraes negou as acusações, classificou como fantasiosas as mensagens atribuídas a ele e afirmou que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master.



