O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou que se reuniu com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em seu gabinete na Corte para tratar de uma causa bilionária. O encontro ocorreu em 11 de abril de 2024 e contou também com dois advogados do banco.
As informações foram publicadas pelo Blog do Fausto Macedo, do Estadão. Segundo Gilmar, a audiência tratou de um processo envolvendo créditos decorrentes de uma indenização cobrada da União pela Destilaria Alcídia, de São Paulo, por causa de preços fixados pelo governo para o setor de açúcar e álcool nas décadas de 1980 e 1990.
O processo foi julgado pela Segunda Turma do STF em junho de 2025. Gilmar votou contra o pagamento do precatório e, consequentemente, contra os interesses do Master, mas ficou vencido. Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli formaram a maioria favorável à empresa, enquanto André Mendonça acompanhou Gilmar.
A revelação ocorre após o Estadão publicar que Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar, manteve contrato de consultoria com a Super Empreendimentos, empresa apontada pela Polícia Federal como instrumento utilizado por Vorcaro para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Mensagens obtidas pela reportagem indicam pagamento de R$ 500 mil à empresa de Chiquinho.
Os diálogos entre Chiquinho e Vorcaro começam na mesma data da audiência no STF. Segundo a reportagem, Chiquinho encaminhou ao banqueiro o contato de uma secretária do gabinete e uma mensagem com informações sobre horários e duração de uma reunião.
Gilmar afirmou que não tinha conhecimento das tratativas entre o então cunhado e Vorcaro e negou ter sido procurado por Chiquinho sobre os assuntos.
“A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado”, afirmou.
Nesta sexta-feira (18), Gilmar também declarou nas redes sociais que mantém posição contrária ao pagamento desse tipo de precatório desde quando comandou a Advocacia-Geral da União (AGU), entre 2000 e 2002.
“Essa luta não é de hoje. Barrar esses pagamentos foi uma das minhas prioridades à frente da AGU, entre 2000 e 2002, e é a mesma posição que sustento no Supremo”, escreveu.
Ao citar outros processos nos quais votou contra pagamentos relacionados ao setor sucroalcooleiro, o ministro acrescentou: “Minha posição incomodou o dono do Banco Master”.
Chiquinho Feitosa, por sua vez, negou ao Estadão ter intermediado encontros entre integrantes do Master e Gilmar Mendes. Ele também afirmou que não tinha contrato com o banco, mas confirmou ter prestado consultoria à Super Empreendimentos por um curto período.



