O Bolsa Família terá reajuste de 15,04% a partir de outubro, elevando o valor mínimo pago por família de R$ 600 para R$ 691. Segundo o governo federal, a medida terá impacto de aproximadamente R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
O reajuste foi anunciado na quinta-feira (17), a 17 dias do primeiro turno das eleições. O benefício médio também será atualizado, passando de R$ 675 para R$ 777. De acordo com o governo, os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro, a partir de 19 de outubro.
Governo terá de remanejar despesas
O custo adicional da medida não estava previsto no Orçamento de 2026 nem no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado ao Congresso em agosto. Com isso, a equipe econômica deverá remanejar recursos de outras áreas para viabilizar o reajuste.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o governo pretende utilizar sobras identificadas em outras rubricas orçamentárias. O detalhamento das mudanças deve ser apresentado na próxima semana, com a divulgação do relatório de avaliação de receitas e despesas do quarto bimestre.
Para viabilizar a alteração, o Executivo também deverá encaminhar ao Congresso um projeto de lei para abertura de crédito suplementar, mecanismo utilizado para modificar dotações previstas no Orçamento.
O governo afirma ainda que o espaço fiscal para a medida foi possibilitado, entre outros fatores, pela redução da fila de pedidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os números que embasam essa justificativa, porém, não foram detalhados no anúncio.
Quanto o Bolsa Família vai pagar?
Com a atualização, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777.
A correção foi oficializada pelo Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. O texto estabelece a atualização dos benefícios pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informou que os novos valores serão considerados na folha de outubro e estarão disponíveis aos beneficiários a partir de 19 de outubro.
A atualização também altera os valores de benefícios específicos dentro do programa. O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante. O Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173, enquanto o Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58.
Reajuste acompanha inflação
Segundo o governo, o percentual de 15,04% corresponde à inflação acumulada medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O índice é utilizado para acompanhar a variação de preços para famílias de menor renda.
Desde a retomada do atual formato do Bolsa Família, em 2023, o benefício mínimo estava mantido em R$ 600. Com a nova correção, o governo afirma que busca recompor o poder de compra das famílias beneficiárias.
O reajuste ocorre durante o período eleitoral. O anúncio foi feito em 17 de setembro, enquanto o primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. O início dos pagamentos com os novos valores ocorrerá em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos.



