A eleição presidencial de 2026 terá uma configuração inédita desde a redemocratização. Com 13 candidaturas apresentadas para a disputa pelo Palácio do Planalto, apenas a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, conseguiu reunir partidos diferentes em uma aliança nacional.
Nas nove eleições presidenciais realizadas desde 1989, pelo menos dois candidatos chegaram à disputa apoiados por mais de um partido. Em 2026, Lula será a exceção em uma corrida marcada pelo isolamento das candidaturas e pela decisão de partidos importantes do Centrão de não aderir formalmente a nenhum dos principais presidenciáveis.
Lula disputa a reeleição ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), repetindo a chapa vencedora de 2022. A candidatura reúne sete legendas, considerando os partidos integrantes das federações, com PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.
O principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL), não conseguiu fechar uma aliança com outras siglas e terá como vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), formando uma chapa inteiramente composta pelo PL.
Centrão evita Flávio e mantém neutralidade
O cenário é resultado, principalmente, da decisão de partidos do Centrão de preservar a neutralidade na corrida pelo Palácio do Planalto. União Brasil, PP, Republicanos, MDB e Podemos estão entre as legendas que não formalizaram apoio nacional a uma candidatura presidencial.
A estratégia dá liberdade aos diretórios estaduais para construir alianças de acordo com as circunstâncias políticas de cada estado. Com isso, uma mesma legenda pode integrar palanques ligados a Lula em determinadas regiões e apoiar Flávio Bolsonaro ou outros candidatos em estados diferentes.
A ausência de alianças também terá reflexos diretos na campanha. Lula contará com o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Flávio Bolsonaro, restrito ao PL, terá aproximadamente 20% menos tempo de exposição nos canais oficiais do que o petista.
Entre os 13 candidatos, apenas quatro terão direito à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
A concentração das alianças em uma única candidatura rompe um padrão observado em todas as eleições presidenciais desde 1989.
O contraste é ainda maior quando comparado a 2018. Naquele ano, oito candidatos à Presidência participaram da eleição sustentados por alianças entre diferentes partidos.
Veja os 13 candidatos à Presidência em 2026
Com o encerramento das convenções partidárias, 13 candidaturas foram apresentadas para disputar a Presidência da República:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Geraldo Alckmin (PSB)
- Flávio Bolsonaro (PL) — Alfredo Gaspar (PL)
- Ronaldo Caiado (PSD) — Gilberto Kassab (PSD)
- Romeu Zema (Novo) — Eduardo Girão (Novo)
- Renan Santos (Missão) — Aroldo Medina (Missão)
- Augusto Cury (Avante) — Júlio Delgado (Avante)
- Samara Martins (UP) — Raquel Brício (UP)
- Edmilson Costa (PCB) — Cleusa Santos (PCB)
- Hertz Dias (PSTU) — Vanessa Portugal (PSTU)
- Rui Costa Pimenta (PCO) — Antônio Carlos Silva (PCO)
- Leonardo Avalanche (PRTB) — Tenente Dalma (PRTB)
- Clariana Barão (DC) — Fabiana Torquato (DC)
- Wilson Grassi (Democrata) — vice ainda não definido
Embora as convenções partidárias já tenham terminado, os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente as candidaturas na Justiça Eleitoral. Até lá, ainda podem ocorrer ajustes nas composições apresentadas.
Congresso ganha espaço na estratégia dos partidos
O número de partidos envolvidos diretamente na disputa presidencial também caiu. Em 2026, dez partidos ou federações com representação no Congresso participam diretamente da corrida nacional, seja apresentando candidato ou vice, seja integrando formalmente uma aliança.
Há quatro anos, eram 16. Em 2014 e 2018, 28 partidos com representação no Congresso participaram diretamente da eleição presidencial.
A configuração de 2026 reforça uma mudança na estratégia das legendas. Em vez de necessariamente se vincularem a um presidenciável, partidos com bancadas relevantes optaram por preservar autonomia nos estados e concentrar esforços na eleição para o Congresso.
O resultado é uma eleição presidencial com 13 candidatos, mas com alianças partidárias concentradas em apenas uma candidatura — situação que não havia ocorrido em nenhuma disputa pelo Palácio do Planalto desde 1989.



