No dia seguinte ao anúncio das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a Bolsa fechou em queda, os juros futuros subiram e o dólar avançou. Em números preliminares, o Ibovespa caiu 1,3% e o dólar encerrou o dia com alta de 0,4%, cotado a R$ 5,098.
Segundo analistas, o pregão foi marcado por uma combinação de fatores locais e internacionais que pressionaram os mercados, com o tarifaço contribuindo para o cenário negativo. Daniel Balaban, broker da XP em Nova York, atribui o movimento a uma soma de performances negativas, envolvendo a piora na percepção sobre conflitos internacionais, a questão das tarifas ao Brasil e o risco de retaliação, além do fator eleitoral. Na mesma linha, Renato Jerusalmi, sócio da Riza Asset, descreve o momento como de aversão global ao risco, com o dólar se fortalecendo em todo o mundo, mas de forma mais intensa no Brasil por causa da tarifa adicional de 25%.
Os juros tiveram comportamento misto: os vencimentos mais curtos operaram em baixa, enquanto os de prazos mais longos subiram. Para Andrea Damico, economista-chefe da BuysideBrazil, a queda nos juros curtos reflete dados mais favoráveis de inflação, que abrem espaço para redução da Selic no curto prazo. Já a alta nos prazos mais longos estaria ligada ao período eleitoral e à desconfiança sobre a trajetória da dívida pública — ela cita o favoritismo do incumbente nas pesquisas recentes como fonte de preocupação sobre os rumos da política fiscal em um eventual quarto mandato de Lula.
O estrategista sênior da Tullett Prebon, Nicolas Borsoi, também associa a alta dos juros de médio e longo prazo ao leilão de títulos pré-fixados desta quinta-feira, que teve volume acima do esperado: 22,5 milhões de papéis.
O cenário externo também foi negativo. O receio renovado com o conflito entre Estados Unidos e Irã manteve o petróleo praticamente estável, em torno de US$ 84 o barril, mas o patamar ainda elevado voltou a preocupar o mercado quanto ao impacto sobre a inflação. Houve ainda pressão sobre as big techs, com a volta da desconfiança em relação aos resultados de empresas ligadas à inteligência artificial — fator que, segundo Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital, também contribuiu para o fortalecimento do dólar globalmente.
Com informações do O Globo




