Aumento da mistura de etanol na gasolina gera debate sobre impacto nos veículos

Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), passa a valer em 1º de agosto e reacendeu o debate sobre os efeitos da medida nos veículos. Enquanto especialistas afirmam que a mudança não deve afetar os carros flex produzidos no Brasil, entidades do setor de combustíveis alertam para possíveis impactos em veículos movidos exclusivamente a gasolina, que representam cerca de 15% da frota nacional.

Segundo o governo federal, a nova composição busca ampliar o uso de biocombustíveis no país. A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período, e o Executivo já estuda elevar a participação do etanol para 35% no futuro.

De acordo com o professor Marcio D’Agosto, da Coppe/UFRJ, os veículos flex e a maior parte dos modelos fabricados no Brasil não devem sofrer alterações significativas no funcionamento ou na manutenção. Já os carros importados podem apresentar perda de desempenho, já que seus motores foram projetados para combustíveis com menor percentual de etanol, exigindo adaptações para o mercado brasileiro.

Associações que representam distribuidoras, importadores e revendedores de combustíveis criticaram a decisão por considerar que o aumento da mistura foi aprovado antes da conclusão de estudos técnicos. As entidades afirmam que a mudança pode afetar o desempenho, elevar os custos de manutenção e aumentar o consumo de combustível em veículos não flex, além de impactar motocicletas e embarcações movidas exclusivamente a gasolina.

Apesar das preocupações, a expectativa é que a maior participação do etanol contribua para reduzir o preço da gasolina nas bombas. Especialistas, no entanto, destacam que o etanol possui menor densidade energética, o que pode fazer com que alguns motoristas precisem abastecer com maior frequência para percorrer a mesma distância.

Com informações do jornal O Globo

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