Mensagens revelam que Ciro Nogueira pediu a Vorcaro para continuar no apartamento do banqueiro

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) pediu a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para permanecer no apartamento do banqueiro por mais três ou quatro meses, segundo troca de mensagens revelada pela Revista Piauí. A conversa ocorreu em 2 de novembro do ano passado, quinze dias antes de Vorcaro ser preso ao tentar embarcar para Dubaí. A informação é d’O Globo.

Nas mensagens, Ciro trata Vorcaro como “meu amigo” e o banqueiro se refere ao senador como “irmãozão”. Em áudios, o parlamentar explica que havia comprado um imóvel para a então companheira Flávia Rosalen e precisava aguardar o fim das obras para desocupar o apartamento.

Vorcaro respondeu pedindo que Ciro “relaxasse” com o assunto e disse que conversariam depois. O senador agradeceu, reforçou que poderia sair antes se necessário e disse ter “saudade” do banqueiro.

Também segundo a Piauí, Vorcaro bancou uma viagem de 13 dias para Ciro e a companheira nos Alpes franceses em janeiro do ano passado. A estadia ocorreu em Courchevel, estação de esqui na França, com hospedagem em hotel de alto padrão e refeições em restaurantes com estrela Michelin, com custo total estimado em R$ 1,8 milhão.

Há um mês, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Ciro Nogueira, autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF. A operação apurou indícios de vantagens indevidas entre o senador e o banqueiro, incluindo a compra de participação em empresa abaixo do valor de mercado.

A PF identificou também pagamentos mensais recorrentes de R$ 300 mil à estrutura vinculada ao senador. Entre os indícios está uma emenda apresentada no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, que, segundo a apuração, foi redigida dentro do próprio Banco Master.

O texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do banco, encaminhado a Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a “Ciro” na residência do parlamentar. A investigação integra a apuração mais ampla sobre as fraudes fiscais do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou em nota que o senador “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. Procurado, Vorcaro não se manifestou sobre o conteúdo das mensagens divulgadas.

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