A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apresentou uma segunda proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. A primeira versão havia sido rejeitada pelos investigadores por ser considerada inconsistente e omissiva. A informação é d’O Globo.
A nova proposta foi entregue na segunda-feira em reunião com investigadores, com complementos enviados no dia seguinte. Um encontro previsto para quarta-feira foi cancelado porque a PF e a PGR pediram mais tempo para analisar os novos anexos.
Os investigadores condicionam o avanço do acordo à admissão das irregularidades por parte de Vorcaro e ao detalhamento de como ele movimentou bilhões por meio de fundos nacionais e internacionais. A PGR e a PF esperam ainda informações sobre relações políticas mantidas pelo banqueiro.
A reparação exigida como condição para assinar o acordo é de cerca de R$ 60 bilhões. O cálculo inclui prejuízos do Fundo Garantidor de Créditos, perdas do BRB na compra de carteiras falsas e valores aplicados por fundos de previdência estaduais e municipais.
A primeira proposta não trouxe relatos sobre o suposto pagamento de mesada ao senador Ciro Nogueira, alvo de busca e apreensão no mês passado. A PF sinalizou que pretende negociar com firmeza e exigir informações que ampliem o escopo das apurações.
Um dos anexos mencionava um contrato entre empresa ligada a Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, com previsão de pagamento de R$ 50 milhões. O escritório negou ter concretizado qualquer contrato adicional com o banqueiro ou recebido valores.
Se a nova proposta for considerada suficiente, Vorcaro poderá ser convocado para depoimentos destinados a detalhar os fatos e comprovar as informações. O acordo, se firmado, será encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, para análise e eventual homologação.
Enquanto as negociações avançam, a PF analisa oito celulares apreendidos com Vorcaro e cruza os dados com relatórios do Banco Central, da Receita Federal e de inteligência financeira. O material de outros alvos da investigação também integra o conjunto de provas em análise.




