Dono da Riachuelo diz que fim da escala 6×1 pode elevar preços e reduzir empregos

O empresário Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes e controlador da Riachuelo, afirmou neste sábado (23) que a proposta de fim da escala 6×1 poderá aumentar a inflação e pressionar os preços no comércio brasileiro.

Segundo o empresário, projeções internas da companhia apontam impacto médio de 13% nos custos caso a medida seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Varejo pode ter impacto maior, afirma empresário

Durante participação no Fórum Brasil 2026, realizado no Guarujá e em reportagem do Estadão, Flávio Rocha afirmou que o varejo deve sentir efeitos ainda maiores por depender mais de mão de obra.

“No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo vá subir na casa de 18% a 20%”, declarou.

Segundo ele, o aumento dos custos pode levar empresas a reajustarem preços para preservar margens de lucro ou até reduzirem o número de funcionários.

Empresário cita impacto em pequenas empresas

Flávio Rocha também afirmou que pequenas e médias empresas seriam as mais afetadas pela mudança na jornada de trabalho.

Na avaliação do empresário, esse segmento concentra atualmente grande parte da geração de empregos no país e teria mais dificuldade para absorver os custos provocados pela alteração da escala.

Além disso, ele argumentou que alguns setores precisam de maior flexibilidade operacional, como indústrias, restaurantes e salões de beleza, que funcionam durante mais dias da semana.

Debate avança na Câmara dos Deputados

Apesar das críticas, o empresário afirmou considerar legítimo o debate sobre redução da jornada de trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores.

No entanto, ele avaliou que a discussão ocorre em meio ao ambiente eleitoral e pode acabar influenciada por discursos populistas, sem considerar impactos econômicos e efeitos sobre contratações.

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 tramita na Câmara dos Deputados por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O relator do texto, o deputado Léo Prates, deve apresentar o parecer final nesta segunda-feira (25). A expectativa é que a comissão especial vote o relatório na terça-feira (26), enquanto a análise em plenário pode ocorrer já na quarta-feira (27).

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