A Polícia Federal (PF) indiciou, em 23 de maio de 2026, o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. O indiciamento ocorre no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de direcionamento de licitações do Departamento de Infraestrutura e Transportes (Dnit) no Amapá. O empresário foi formalmente acusado pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa.
As investigações da PF, divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo, apontam para um esquema de fraudes em concorrências públicas do Dnit no Amapá. Segundo a corporação, Breno Chaves Pinto teria utilizado seu nome e sua influência política para obter vantagens indevidas em processos licitatórios. Os investigadores destacam que o empresário se apresentava como agente de ingerência institucional no Dnit-AP, explorando sua posição como segundo suplente de Davi Alcolumbre e sua relação pessoal com o superintendente regional do órgão, Marcello Vieira Linhares.
Marcello Linhares, superintendente regional do Dnit no Amapá, também foi indiciado pelos crimes de associação criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação. A PF fundamenta as acusações em diálogos e documentos que indicam a pressão pela liberação de recursos federais, com menções a tratativas envolvendo o senador Davi Alcolumbre. Em uma das conversas interceptadas, Linhares pede a Breno Pinto que pressione o governo para liberar empenhos, mencionando “nossos empenhos” e “nosso senador”, e em outra ocasião agradece pela liberação de recursos a partir de “tratativas do nosso senador”.
O caso ganhou destaque em julho do ano passado, quando a PF deflagrou uma operação para apurar fraudes no Dnit em Macapá. Na ocasião, os investigadores sustentaram que Breno Pinto utilizava o nome do senador para desviar recursos em licitações. Embora as apurações não tenham encontrado indícios de participação direta de Davi Alcolumbre nas irregularidades, o empresário é considerado peça central no esquema. As investigações foram mantidas na Justiça Federal do Amapá, e com a conclusão do inquérito, o processo deve ser encaminhado ao Ministério Público Federal para análise e eventual proposição de ação penal.
A defesa de Breno Chaves Pinto informou que se manifestaria somente após ter acesso completo ao relatório final da PF. Marcello Linhares optou por não comentar o caso. O senador Davi Alcolumbre, por meio de nota divulgada por sua assessoria, reiterou que não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente, nem interfere em decisões administrativas do Dnit. A nota enfatiza que Alcolumbre responde apenas por seus próprios atos e que não há qualquer indício de participação sua nas supostas irregularidades investigadas, defendendo a responsabilização rigorosa dos envolvidos, caso desvios sejam comprovados.
Breno Chaves Pinto, 39 anos, natural de Imperatriz (MA), declarou mais de R$ 8,5 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, sendo R$ 7,3 milhões referentes a participações societárias em três empresas. Além de empresário, ele é piloto de motovelocidade e conquistou o título nacional na categoria GP 1000 Open em 2023. O caso também relaciona o suplente a investigações anteriores sobre suspeitas de superfaturamento em obras viárias no Amapá, onde a construtora de sua propriedade foi alvo de apuração da PF em 2022.
Como noticiado pelo Estadão, Davi Alcolumbre destinou R$ 9 milhões do orçamento secreto para uma obra em Santana (AP) executada pela empreiteira de Breno Pinto. As investigações da PF colheram documentos e diálogos que detalham a atuação do empresário e do superintendente do Dnit-AP na articulação de licitações e liberação de verbas, evidenciando o impacto direto dessas ações na transparência e na lisura dos processos de infraestrutura no estado.




