Banco de Edir Macedo esconde prejuízo milionário para possível venda ao BTG; PF investiga

Foto: Reprodução Facebook

O banco Digimais, controlado pela holding do bispo Edir Macedo, recorreu a fundos de investimento para retirar de seu balanço carteiras de crédito com centenas de milhões de reais em inadimplência. A operação melhorou a aparência das demonstrações financeiras sem alterar a situação financeira real da instituição. A informação é do Estadão.

Com as manobras, o banco declarou lucro de R$ 31 milhões no segundo semestre de 2025. Sem elas, teria de registrar ao menos R$ 480 milhões em créditos vencidos, o que reduziria diretamente o resultado.

O mecanismo central é o chamado “Zé com Zé”: o próprio Digimais figura como cotista dos fundos que compraram suas carteiras problemáticas. Na prática, o banco vendeu ativos a si mesmo, criando a aparência de uma transação com terceiros.

Um desses fundos, o Tabor, registrava R$ 575 milhões em inadimplência sobre uma carteira de R$ 960 milhões em abril de 2026. Mais de R$ 200 milhões estavam vencidos há até 720 dias, patamar classificado por especialistas como estado crítico.

Em dezembro de 2025, o Digimais declarou R$ 366 milhões em créditos vencidos em financiamento de veículos. Naquele momento, só o fundo Tabor já acumulava R$ 479 milhões em inadimplência fora do balanço do banco.

No total, o banco tem R$ 3 bilhões aplicados em fundos que auditores independentes não conseguiram verificar por falta de acesso a documentos. O valor representa cerca de 75% do total investido em fundos pela instituição.

A própria auditoria contratada pelo banco sinalizou irregularidade em outra operação: a holding de Macedo comprou R$ 741 milhões em cotas de um fundo que detém direito a precatório judicial ainda não resolvido. Os auditores apontaram que o negócio pode não refletir condições normais de mercado.

Polícia Federal investiga o banco por suposta fraude. O BTG Pactual assinou documentos para uma possível aquisição, mas a transação depende de leilão e de suporte do Fundo Garantidor de Créditos. Digimais e Igreja Universal não responderam à reportagem.

A presidência do banco é ocupada por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, condenado por receber propina da Odebrecht em processo posteriormente anulado.

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