A eventual transferência do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Ministério da Justiça encontra oposição dentro do próprio governo. O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa são contrários à mudança. A apuração é de Malu Gaspar, n’O Globo.
O atual titular da Justiça, Wellington César Lima e Silva, integra a chamada “ala baiana” da administração petista. Ele tem o apoio de Costa e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Costa e Wagner figuram entre os possíveis alvos de uma delação premiada do executivo Daniel Vorcaro, com conexões no PT baiano. O avanço do caso Master é um dos fatores que aumentam a tensão em torno da eventual troca no ministério.
Aliados de Lula temem que a ida de Messias à Justiça deteriore ainda mais a relação do Planalto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alcolumbre relatou ao presidente se sentir perseguido pela Polícia Federal e pediu algum tipo de proteção contra o avanço das investigações.
Foi Alcolumbre o principal articulador da derrota de Messias na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Ele costurou uma aliança que reuniu Flávio Bolsonaro, senadores bolsonaristas e o ministro Alexandre de Moraes, contrário ao fortalecimento de André Mendonça no tribunal.
O relator do caso Master, André Mendonça, foi o principal cabo eleitoral de Messias na campanha frustrada para o STF e é hoje o maior contraponto de Moraes no tribunal. A aproximação entre os dois é um dos pontos de tensão que pesam contra a indicação.
O governo depende da cooperação de Alcolumbre para avançar em pautas prioritárias, como o fim da escala de trabalho 6 por 1. Qualquer operação policial contra parlamentares, segundo aliados, seria lida como retaliação de Messias — o que amplia o risco político da mudança.
Na semana passada, o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), foi alvo de busca e apreensão no âmbito do caso Master. O episódio elevou o estado de alerta de Alcolumbre e outros líderes partidários sobre a possibilidade de se tornarem os próximos alvos.




