Cinco dias após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sinalizou qual será o próximo passo. Nenhum aliado do governo consegue afirmar com certeza o caminho que o presidente vai seguir. A apuração e de Lauro Jardim n’O Globo.
O entorno de Lula se divide em três correntes distintas sobre como lidar com a vaga no STF. Cada grupo defende uma estratégia diferente, e a palavra final permanece com o presidente.
A primeira corrente pressiona pela indicação de uma mulher negra para a vaga no tribunal. Integrantes desse grupo reconhecem, porém, que critérios de gênero e raça não têm peso suficiente para influenciar o senador Davi Alcolumbre e os parlamentares em sua órbita.
A segunda corrente defende o adiamento da decisão para depois das eleições municipais. Esse grupo aposta na hipótese de uma vitória de Lula que lhe daria capital político para uma indicação sem os desgastes atuais.
A terceira corrente recomenda cautela e diálogo direto com Alcolumbre antes de qualquer anúncio. Para esse setor, uma negociação prévia seria a única forma de evitar nova derrota pública no Senado.
O senador Davi Alcolumbre ocupa posição central nesse imbróglio por sua influência sobre a Comissão de Constituição e Justiça. A rejeição de Messias evidenciou que o Palácio do Planalto subestimou o poder de articulação do parlamentar.
A derrota com Messias foi classificada internamente como a maior exposição política de Lula desde o início do mandato. O governo não esperava que a resistência no Senado alcançasse a dimensão que tomou.
Sem prazo definido e sem consenso interno, Lula mantém a decisão em aberto. A escolha do próximo nome para o STF deve revelar qual das três correntes conseguiu convencer o presidente.




