Alcolumbre impõe neutralidade e Messias tem futuro incerto no STF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adotou uma postura decisiva que pode selar o destino de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para preservar a neutralidade em um processo de votação já intrincado, Alcolumbre afirmou, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que não receberá o candidato, movimento que se torna crucial para a articulação de apoios em meio à forte resistência no parlamento. A decisão do senador, ao evitar um encontro que poderia sinalizar apoio presidencial, coloca o futuro da indicação em xeque e mobiliza as forças políticas em Brasília, com consequências diretas para a composição de uma das mais importantes cortes do país.

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Base governista fragilizada

Líderes e ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calculam um cenário de grande dificuldade no Senado. A contagem atual de votos revela:

  • 25 senadores fiéis à indicação de Messias;
  • 35 senadores já declararam voto contrário;
  • 21 senadores permanecem indecisos, com o poder de definir o resultado.

Entre esses indecisos, um grupo de 12 a 15 parlamentares é conhecido por sua proximidade com Alcolumbre, aguardando uma orientação direta do presidente da Casa para consolidar suas posições. O destino de uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, que impacta diretamente a vida jurídica e social do país, está, portanto, nas mãos desse grupo e da influência de Alcolumbre.

A influência de Alcolumbre e a guinada no Palácio

Embora declare publicamente não atuar a favor ou contra, Davi Alcolumbre já havia alertado o presidente Lula sobre a resistência que Messias encontraria no Senado. A expectativa é que o senador sinalize sua posição ainda nesta semana, o que pode influenciar diretamente o chamado “centrão”, um bloco de votos crucial para a aprovação. Nos últimos dias, o otimismo do governo murchou: a projeção inicial de 46 votos favoráveis para Messias caiu para cerca de 44, de acordo com aliados do presidente do Senado. A semana começou com um clima de incerteza para Messias, intensificando a necessidade de uma agenda de articulação política robusta.

Pressionando por encontros e apoios

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), expressou sua preocupação com a postura de Alcolumbre. “Ele não está trabalhando a favor. Não vou dizer que está trabalhando contra, mas é óbvio que a chancela ajudaria”, declarou Wagner. “Se quisesse ajudar, ele poderia estar pedindo voto. Eu não tenho a informação de que ele esteja pedindo voto contra.” Wagner reforçou o papel institucional: “Eu acho que institucionalmente ele deveria receber. Evidentemente já se conversaram, mas não depois da indicação. É uma decisão dele. Eu não vou pedir para ele receber. Seria uma função institucional de receber.”

Negociação de emendas sob desconfiança

Diante do cenário adverso, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), atua ativamente para reverter a situação, negociando o empenho de emendas parlamentares como estratégia para atrair votos. O governo já empenhou R$ 12 bilhões em emendas em abril, às vésperas da sabatina de Messias. Empenhar significa que o governo reservou o montante para pagamento, comprometendo-se a liberar o recurso. Contudo, senadores demonstram resistência, lembrando a desconfiança gerada após a votação de Flávio Dino para o STF, quando, segundo relatos, emendas foram empenhadas, mas não efetivadas. Parlamentares afirmam que só aceitariam acordos com o aval de Alcolumbre, visto como um “fiador” político capaz de garantir o cumprimento dos compromissos, evidenciando a fragilidade da confiança e o custo político de cada voto no Supremo.

*Com informações de g1

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