O Brasil enfrenta uma crise no setor de energia eólica onshore enquanto identifica uma janela de expansão no segmento offshore. A presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, avalia que a retração dos Estados Unidos abre espaço para o país ocupar posição de liderança no hemisfério ocidental. A informação é da Folha de São Paulo.
O governo Trump suspendeu, no fim de 2024, as concessões de grandes projetos eólicos offshore nos EUA, citando preocupações com segurança nacional. A decisão desestruturou contratos no setor e redistribuiu oportunidades de mercado para outros países.
No Brasil, o problema imediato está nas eólicas onshore, que respondem por cerca de 16% da geração elétrica nacional. O excesso de energia solar em determinados horários força o desligamento de turbinas — prática chamada de curtailment —, o que gerou prejuízos de R$ 5 bilhões às empresas do setor nos últimos três anos.
A lei 15269/2025, que aguarda regulamentação, é apontada pelo setor como instrumento para garantir segurança jurídica aos investidores diante dos prejuízos do curtailment. Essa estabilidade regulatória é considerada condição para viabilizar projetos offshore, cujo ciclo — da viabilidade à operação — pode levar entre oito e dez anos.
O relatório anual do Conselho Mundial de Energia Eólica (GWEC) registrou, em 2024, a instalação de 165 GW em 57 países, com a China respondendo por 120 GW desse total. No offshore, a China lidera no Oriente, enquanto o Reino Unido ocupa essa posição na Europa, com eólicas marinhas chegando a 20% da geração em momentos de pico.
O Brasil possui cerca de 90% de sua matriz elétrica em fontes renováveis, mas ainda não iniciou o licenciamento de projetos offshore. Além da geração de energia, o setor é visto como base para a produção de hidrogênio verde a partir do excedente de geração eólica marinha.




