Dono da Choquei está em presídio de segurança máxima em Goiás

A Justiça manteve a prisão de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e a Polícia Penal o transferiu para uma unidade de segurança máxima em Goiás nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026. Investigado na Operação Narco Fluxo por suposta lavagem de dinheiro e estelionato digital, o influenciador agora ocupa uma vaga no Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida De Goiânia. A decisão judicial, que aguarda o avanço das apurações e já motivou um pedido de habeas corpus ao TRF-3 pela defesa, evidencia o impacto severo da acusação na vida de uma figura pública e o rigor das investigações em curso contra um esquema bilionário.

O criador da Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, está no Núcleo Especial de Custódia da unidade prisional, considerada de segurança máxima, conforme informações da Polícia Penal. Ele segue a mesma rotina dos demais detentos, com direito a quatro refeições diárias — café da manhã, almoço, jantar e ceia —, além de duas horas de banho de sol por dia e até duas visitas mensais. Essa realidade impõe uma drástica mudança na vida do influenciador, acostumado à exposição pública e à liberdade de movimentação, agora confrontado com a disciplina e as limitações do cárcere.

A prisão de Raphael ocorreu em 15 de abril de 2026, em Goiânia, durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em nove estados. A investigação aponta que ele atua como operador de mídia de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato digital, recebendo valores de outros investigados. A Polícia Federal indica que o influenciador integra a estrutura investigada, que tem Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, como principal beneficiário econômico do esquema.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira, representada pelo advogado Pedro Paulo Medeiros, informou em 18 de abril de 2026 que impetrou um habeas corpus no TRF-3, em regime de plantão, pleiteando a soltura imediata do influenciador. Segundo o advogado, a prisão é injustificável, pois as diligências foram concluídas e falta fundamentação individualizada para a custódia. A defesa também sustenta que a atuação com publicidade é legal e que continuará adotando medidas para reverter a prisão.

Na tarde de sexta-feira, 17 de abril de 2026, Raphael foi transferido da sede da Polícia Federal, em Goiânia, para o presídio em Aparecida De Goiânia. O advogado Frederico Moreira, que integra a equipe de defesa, explicou que a Justiça negou o pedido de revogação da prisão do influenciador. Na decisão, o juiz responsável fundamentou a negativa alegando a necessidade de aguardar o avanço da apuração para proferir uma decisão com maior segurança, evitando prejuízo ao andamento do processo. Diante disso, a equipe jurídica avalia a viabilidade de novos recursos.

As investigações apontam que Raphael recebeu R$ 370 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade. Em entrevista, o advogado Frederico Moreira afirmou que o delegado Hugo Lisita questionou os valores durante o depoimento. Do montante, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025, e R$ 100 mil como uma transferência vinda de uma pessoa desconhecida. Raphael suspeita que este último valor tenha sido pago por um terceiro em favor do MC Ryan SP, prática comum no meio artístico. Segundo Frederico, o influenciador não se lembra do nome do autor da transferência, mas acredita que seja um terceiro envolvido no projeto artístico ou musical.

No pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos, obtido pelo g1, consta que a função do influenciador ‘consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações’. Além de Raphael, outros produtores de conteúdo, incluindo o influenciador Chrys Dias, que possui quase 15 milhões de seguidores, foram presos. Os suspeitos teriam movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão.

A operação apura uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionária por meio de apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos. No centro do esquema, a investigação aponta Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) como principal beneficiário, com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento. A investigação é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, e surgiu após a Polícia Federal analisar dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, identificando uma estrutura financeira paralela para captar, fragmentar, ocultar e reinserir dinheiro no mercado formal.

Raphael Sousa Oliveira, que possui 1,4 milhão de seguidores em uma rede social, costuma compartilhar momentos de trabalho, vídeos de humor e viagens. Já o perfil da Choquei, com mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e quase 74 mil postagens, é conhecido por publicar fofocas de celebridades, reality shows, memes e acontecimentos de grande repercussão. Sua prisão, portanto, tem um impacto significativo em sua imagem e na percepção pública do universo dos influenciadores digitais.

A defesa de Raphael Sousa Oliveira reiterou que impetrou “Habeas Corpus” com pedido de medida liminar perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em regime de plantão, para buscar a imediata revisão da custódia. A defesa sustenta que a manutenção da prisão é tecnicamente injustificável, especialmente porque as buscas, apreensões e o interrogatório já foram realizados, além de apontar a ausência de fundamentação individualizada quanto a Raphael na decisão questionada. A defesa reafirma que fazer publicidade para personalidades não é ilegal, muito menos crime, e seguirá atuando por todos os meios legais para reverter a custódia, com os próximos passos processuais já sendo tomados com a urgência que o caso exige.

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