BRB fecha acordo para transferir R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) confirmou nesta segunda-feira (20) um acordo para transferir cerca de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master para um fundo de investimentos gerido pela Quadra Capital, em meio à busca por soluções para sua crise de liquidez e capital.

A operação prevê pagamento à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, além de uma parcela posterior estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, composta por cotas do fundo e pela monetização dos ativos. Segundo a Folha de S.Paulo, o BRB deve ser o maior cotista do fundo, um Fidc que já conta com mais de cem investidores interessados em adquirir o restante das cotas, cujos recursos serão destinados ao caixa do banco.

O BRB enfrenta dificuldades após a tentativa frustrada de compra do Banco Master e a aquisição de carteiras fraudulentas da instituição ligada a Daniel Vorcaro. Inicialmente, o banco estimava possuir R$ 21,9 bilhões em créditos oriundos do Master, mas o valor pode ser menor após reavaliação dos ativos, considerando riscos e prazos.

A maior parte desses ativos é formada por recebíveis do Credcesta, voltado ao crédito consignado para servidores públicos, estimados em R$ 9 bilhões. Também integram o pacote empréstimos a empresas, ativos imobiliários e ações de companhias como Oncoclínicas e Ambipar, que devem compor o fundo.

Como gestora, a Quadra Capital será responsável pela cobrança dos créditos, inclusive judicialmente, sendo remunerada conforme o retorno obtido. A empresa, criada em 2016 e comandada por Nilto Calixto Silva, administra atualmente dezenas de fundos e adota estratégia voltada à aquisição de ativos de maior risco e menor liquidez.

O banco do Distrito Federal ainda não divulgou seu balanço de 2025, cujo prazo legal encerrou em 31 de março, o que mantém indefinido o tamanho das perdas relacionadas às operações com o Master.

Sem recursos suficientes para aportar no BRB, o governo do Distrito Federal sancionou, em março, uma lei que autoriza a contratação de até R$ 6,6 bilhões em crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições financeiras. O DF também não possui capacidade de pagamento para obter garantias do Tesouro Nacional, nem há indicação de flexibilização por parte do governo federal.

A proposta da Quadra Capital vinha sendo discutida há meses e concorreu com o interesse de outros potenciais compradores do mercado financeiro, alguns dos quais chegaram a ser apresentados ao Banco Central.

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