Pesquisas indicam perda de força de Lula no Nordeste

A pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu um sinal de alerta no Nordeste, região historicamente favorável ao PT, após pesquisas indicarem queda na aprovação do governo e redução da vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

Levantamentos do Datafolha mostram que Lula oscilou dentro da margem de erro nas intenções de voto na região, passando de 63% em dezembro para 60% na pesquisa mais recente, divulgada no dia 11. No mesmo período, Flávio subiu de 24% para 32%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Além disso, a aprovação do presidente no Nordeste caiu de 53%, registrados como ótimo ou bom em março de 2023, para 41% atualmente. A rejeição também aumentou: o índice de eleitores que afirmam não votar em Lula chegou a 32%, ante 27% em agosto de 2022, embora ainda abaixo da média nacional, que é de 48%.

Apesar do cenário, o Nordeste segue como principal base eleitoral do PT há duas décadas. Desde 2006, candidatos do partido — como Dilma Rousseff e Fernando Haddad — obtiveram mais de 69% dos votos válidos na região no segundo turno. O melhor desempenho foi do próprio Lula, que alcançou 77% em 2006 contra Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB.

Na eleição mais recente, Lula venceu Jair Bolsonaro no Nordeste por 69,34% a 30,66%, garantindo uma vantagem de 12,6 milhões de votos — resultado decisivo para compensar derrotas em outras regiões e assegurar a vitória nacional por 2,1 milhões de votos.

O cenário atual, no entanto, é considerado menos favorável do que em 2022. Em agosto daquele ano, Lula tinha 65% das intenções de voto entre nordestinos, contra 25% de Bolsonaro.

Para tentar reverter a tendência, o presidente intensificou agendas na região, com visitas a cidades nordestinas em oito ocasiões apenas neste ano. Ainda assim, pesquisas apontam piora na avaliação do governo e um ambiente político mais fragmentado, com divisão na base aliada e dificuldades nas disputas estaduais.

Nos estados, o cenário também preocupa. Na Bahia, Jerônimo de Freitas aparece atrás de ACM Neto em levantamentos. No Ceará, pesquisa do Datafolha divulgada em março mostra Ciro Gomes com 47% contra 32% de Elmano de Freitas, dentro de uma margem de erro de três pontos percentuais.

Internamente, há divergências no PT. Parte das lideranças mantém otimismo quanto à recuperação de Lula até outubro, enquanto outra ala avalia a possibilidade de perda de desempenho no Nordeste. Integrantes ligados à pré-campanha de Haddad em São Paulo trabalham com a expectativa de ampliar a vantagem no estado para compensar eventuais perdas na região nordestina.

Mesmo com a preocupação, dirigentes do partido destacam a ligação histórica entre Lula e o eleitorado nordestino e defendem que a estratégia será ampliar a votação na região.

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