Inadimplência familiar atinge níveis recordes no brasil

Em fevereiro de 2026, a inadimplência das famílias brasileiras atingiu 5,2%, um patamar alarmante que se aproxima do pico registrado em 2012, de 5,5%. Este aumento, revelado por um estudo da LCA Consultoria e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), é impulsionado principalmente pelo crescimento das dívidas financeiras, cuja participação no endividamento saltou de 36,9% em 2018 para 46,8% em 2025. Esse cenário gera um impacto direto na vida de milhões de brasileiros, comprometendo a dignidade e a capacidade de planejamento financeiro, além de soar como um grave sinal de alerta para a estabilidade econômica do país.

A LCA Consultoria e o IBJR enfatizaram que, embora o nível atual de inadimplência não seja inédito, a trajetória de crescimento consistente nos últimos anos é preocupante. “É o prenúncio de consequências negativas não só para as famílias afetadas, mas para a economia como um todo. É um sinal de alerta sobre o funcionamento e os incentivos gerados no atual sistema financeiro nacional”, apontou o estudo, destacando a vulnerabilidade dos cidadãos frente aos mecanismos de crédito.

Detalhes do levantamento mostram que o cartão de crédito rotativo exibiu uma inadimplência elevada, chegando a 64,5% em dezembro de 2025. Já a inadimplência do crédito pessoal alcançou 8,4% no mesmo mês, evidenciando a dificuldade de honrar compromissos básicos.

Ainda segundo a pesquisa, os juros do crédito livre, que estavam em 62% em dezembro de 2025, são significativamente superiores aos do crédito direcionado (11% no mesmo mês). Essa diferença robusta continua em alta, ampliando o custo do endividamento e dificultando a saída do ciclo de dívidas para muitas famílias.

Um ponto de discussão é o impacto das apostas online, que, segundo a LCA Consultoria e o IBJR, ainda é limitado. Representando 0,46% do consumo das famílias (totalizando R$ 37 bilhões em 2025), esse valor é comparável aos gastos com bebidas alcoólicas e inferior a outras despesas cotidianas, indicando que, por enquanto, não são o principal motor da inadimplência.

Complementando o cenário, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou, em 7 de abril de 2026, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Os dados revelaram que o endividamento das famílias brasileiras subiu 0,2 ponto percentual em março de 2026, atingindo 80,4% – o maior nível da série histórica iniciada em 2015.

Este percentual abrange famílias com dívidas a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. A CNC alertou que este recorde é um grave indicativo para os próximos meses, especialmente considerando os potenciais impactos do conflito no Oriente Médio e as consequentes altas do petróleo no bolso do consumidor.

Em meio a este cenário desafiador, o governo federal se prepara para intervir. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em 13 de abril de 2026 que as medidas de alívio do endividamento das famílias serão anunciadas logo após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sua viagem pela Europa, que ocorrerá entre 16 e 21 de abril de 2026.

O novo programa “Desenrola Brasil” está em fase final de desenho, segundo Durigan. A iniciativa visa oferecer descontos e renegociar pendências financeiras de inadimplentes. Para evitar um novo ciclo de endividamento após a adesão ao programa, o governo estuda, como contrapartida, barrar o acesso a plataformas de apostas online para os beneficiários.

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