Em uma estratégica movimentação para salvaguardar a soberania eleitoral, o governo brasileiro, sob a gestão do Presidente Lula, observa atentamente as eleições parlamentares da Hungria neste domingo, 12 de maio de 2025. A decisão de monitorar o pleito húngaro decorre da avaliação de que este pode servir como um crucial teste para uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras, agendadas para outubro do mesmo ano. Para o Planalto, a análise das táticas empregadas na Europa é fundamental para desenvolver defesas robustas contra qualquer tentativa externa de influenciar o resultado democrático no Brasil, protegendo a vontade popular e a integridade do processo.
Integrantes do governo brasileiro acompanham de perto a votação húngara para analisar a eficácia das ações promovidas pelo governo do então presidente Donald Trump em apoio ao candidato da ultradireita, o primeiro-ministro Viktor Orbán. Esta observação visa a compreender as estratégias de mobilização e influência, que podem reverberar em outros contextos.
Na semana que antecedeu o pleito húngaro de 12 de maio de 2025, o então vice-presidente americano J. D. Vance visitou o país e transmitiu mensagens de forte apoio de Donald Trump a Orbán, inclusive com a declaração “O presidente ama você”. Anteriormente, o então secretário de Estado americano Marco Rubio também havia atuado na campanha em favor do primeiro-ministro, indicando um engajamento explícito.
Embora pesquisas de opinião apontem uma vantagem de mais de dez pontos percentuais para o opositor Péter Magyar, um resultado favorável a Orbán seria um indicativo da capacidade de mobilização da ultradireita. Tal cenário acenderia um alerta no Planalto, sugerindo que táticas semelhantes poderiam ser replicadas e exigindo preparativos antecipados para o cenário doméstico.
Conforme a percepção de um integrante do governo Lula, o pleito húngaro representa a primeira etapa de um estudo de caso para o Planalto. O objetivo é aprimorar a capacidade de resposta diante de possíveis ingerências americanas. Outras eleições regionais também estão sob escrutínio: na Colômbia, em 31 de maio de 2025, onde um candidato de esquerda apoiado por Gustavo Petro disputa o cargo, e no Peru, no próximo domingo, 18 de maio de 2025.
A repercussão da eleição húngara também será um dos temas centrais do foro “Defendendo a democracia contra os extremismos”, que ocorrerá na Espanha na semana seguinte ao pleito, com a participação do Presidente Lula. Este evento reforça a preocupação global com a ascensão de movimentos extremistas e a defesa dos princípios democráticos.
O desfecho da votação na Hungria é igualmente percebido como um termômetro para a força da ultradireita no cenário da União Europeia. Na análise do Planalto, os avanços de grupos de direita e ultradireita têm encontrado resistências, evidenciadas pelos resultados recentes: desempenho aquém do esperado para a legenda de Marine Le Pen nas eleições municipais da França e a derrota da primeira-ministra Giorgia Meloni no referendo constitucional na Itália.
A Hungria tem sido um ponto de referência para a direita global. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) no país no início de março de 2025. Em seu discurso, ele declarou: “A comunidade internacional se une em resgatar a democracia brasileira, trabalhando para que tenhamos eleições limpas e transparentes”, uma fala que gerou interpretações variadas no contexto político nacional.
Em um episódio que ganhou grande repercussão, o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve na embaixada da Hungria, em Brasília, por dois dias em fevereiro de 2024, após a Polícia Federal apreender seu passaporte. Esse movimento ocorreu em meio às investigações sobre a trama golpista, que, em 2025, resultaria na condenação do ex-presidente. No cenário político, a estada na embaixada foi amplamente interpretada como uma tentativa de buscar refúgio e evitar uma possível prisão naqueles dias.
O grupo político do Presidente Lula manifesta receio quanto a uma possível interferência americana nas eleições brasileiras desde o retorno de Donald Trump ao poder. Embora os dois líderes tenham estabelecido uma relação que o Palácio do Planalto descreveu como cordial ao longo de 2025, a preocupação com a influência externa nas urnas brasileiras permanece latente.
Entre as tentativas de interferência citadas por analistas, destacam-se o “tarifaço” imposto no ano anterior, com o objetivo declarado de beneficiar Bolsonaro, e as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Esses eventos são vistos como parte de um padrão de ações destinadas a influenciar o cenário político brasileiro.
Outro episódio relevante envolveu Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump. Ele tentou visitar o ex-presidente brasileiro na prisão e, embora a Justiça tenha autorizado a visita, o Presidente Lula vetou sua entrada no país. A ação demonstrou a postura vigilante do governo em relação a contatos políticos internacionais considerados sensíveis.
No final de março de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RS), apontado como pré-candidato à Presidência, discursou na CPAC no Texas, EUA. Em sua fala, ele apelou para que os Estados Unidos “monitorem a liberdade de expressão” do povo brasileiro e “apliquem pressão diplomática para que as instituições funcionem corretamente”, sugerindo uma intervenção externa nos assuntos internos do Brasil.
O senador Flávio Bolsonaro reiterou sua crença de que seria eleito presidente sob a condição de “eleições livres e justas”, afirmando: “Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós venceremos”. Tais declarações reforçam a narrativa de que o processo eleitoral poderia estar sob ameaça.
Aliados do Presidente Lula ponderam que, mesmo que Donald Trump não se envolva diretamente em uma interferência no processo eleitoral brasileiro, a possibilidade de atuação de agentes menos graduados do governo americano ainda é real. O Departamento de Estado, responsável pelas relações internacionais dos EUA, é apontado como uma das áreas da gestão Trump com maior presença de representantes da base mais radical do trumpismo, elevando o nível de atenção do Brasil.




