O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou durante depoimento nesta quarta-feira (8) na CPI do Crime Organizado que não teve interlocução com o ministro Alexandre de Moraes sobre o caso envolvendo o Banco Master. Ele também destacou que eventuais informações obtidas em conversas com autoridades estão protegidas por dever de sigilo.
Durante o depoimento, Galípolo foi questionado diretamente sobre possíveis conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do Banco Master e negou qualquer tratativa sobre o tema.
O presidente do Banco Central ressaltou que mantém uma relação institucional com integrantes do STF, classificada por ele como cordial, mas desvinculada de discussões sobre o caso citado na CPI.
Ao longo da oitiva, Galípolo enfatizou que informações sensíveis, especialmente aquelas relacionadas a dados financeiros ou pessoais de autoridades, são protegidas por obrigação legal.
Segundo ele, mesmo quando há diálogo com ministros ou seus familiares, existe um dever fiduciário de preservação dessas informações.
“Eu tenho a obrigação fiduciária de zelar por esse tipo de sigilo nessas conversas”, disse.
O presidente do Banco Central indicou que essa obrigação impede a divulgação pública de eventuais conteúdos discutidos em caráter reservado.
Galípolo também citou episódios recentes de instabilidade no sistema financeiro, como a chamada crise associada à “Lei Magnitsky”, ao explicar o tipo de interlocução institucional mantida com o Judiciário.
Segundo ele, esse tipo de diálogo ocorre em situações que envolvem riscos sistêmicos, como disseminação de informações que possam afetar a solvência de instituições financeiras.
Durante a sessão, parlamentares mencionaram informações já divulgadas sobre pagamentos feitos pelo Banco Master a escritório ligado à família de Alexandre de Moraes.
Ao ser questionado se esse tema foi tratado com o ministro, Galípolo reiterou que não houve diálogo sobre o assunto.




