CPI do Crime Organizado articula prorrogação de trabalhos no Senado

Na noite de domingo, 5 de abril de 2026, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou ter reunido as assinaturas necessárias para estender os trabalhos do colegiado. A decisão de buscar a prorrogação por mais 60 dias reflete a urgência em aprofundar investigações cruciais, garantindo que depoimentos e documentos essenciais sejam analisados. Este passo é fundamental para o Brasil avançar na construção de uma república onde a mesma lei e a justiça valham para todos, combatendo a impunidade que tanto afeta a dignidade social.

O prazo inicial para as atividades da comissão se encerra no próximo dia 14 de abril de 2026. Com a prorrogação, esperam-se mais dois meses para apresentação e votação do relatório final. A deliberação sobre a continuidade da CPI caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Conseguimos as assinaturas necessárias para a sua prorrogação, pois ainda temos depoimentos importantes para fazer e muita documentação para analisar. O Brasil só será uma República democrática de verdade quando a mesma lei valer para todos”, declarou Vieira em suas redes sociais, ecoando um sentimento de busca por esperança e justiça em meio à complexidade nacional.

Com um cronograma apertado, a comissão tem se empenhado para manter suas atividades, com pelo menos quatro oitivas previstas para esta semana. Uma das agendas mais aguardadas é a do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que, apesar de convocado, obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para não ser obrigado a comparecer.

A oitiva de Ibaneis Rocha, marcada para a próxima terça-feira, 7 de abril de 2026, deve prosseguir mesmo sem sua presença, devido à decisão assinada pelo ministro André Mendonça. Os parlamentares pretendem questioná-lo sobre seu papel nas decisões estratégicas do BRB (Banco de Brasília) relacionadas a operações com o Master, investigadas pela Polícia Federal. Este caso representa uma das frentes de investigação mais importantes que a CPI busca aprofundar com a prorrogação.

Ainda na terça-feira, 7 de abril de 2026, a comissão ouvirá o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, para discutir as ações envolvendo o “domínio territorial das facções dentro das unidades prisionais” do país.

Na quarta-feira, 8 de abril de 2026, a CPI tem agendada as oitivas de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Gabriel Galípolo, atual chefe da instituição. Campos Neto foi novamente convocado em 31 de março de 2026, após ter obtido um habeas corpus anterior do STF para não comparecer. Galípolo, por sua vez, será ouvido na condição de convidado.

Instalada em novembro de 2025, a CPI tem enfrentado obstáculos significativos para o avanço das investigações. Entre eles, destaca-se a suspensão da quebra de sigilo da Maridt, empresa que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli. A suspensão foi determinada pelo ministro Gilmar Mendes e mantida pelo presidente do STF, Edson Fachin, após a CPI recorrer. A cúpula da comissão, que tem direcionado críticas à atuação de parte dos integrantes do STF, informou que adotaria as “medidas recursais cabíveis”, buscando assegurar a continuidade e a efetividade de seus trabalhos.

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