Foto: Fábio Rodrigues/ Ag.Brasil
Declarações do presidente Lula sobre o protagonismo do PT na reforma agrária não são totalmente sustentadas pelos números oficiais. Dados do Incra, obtidos via Lei de Acesso à Informação, indicam que a principal ferramenta da política — a desapropriação de terras — perdeu força ao longo das últimas décadas, inclusive durante os governos petistas.
Levantamento mostra que, nos dois primeiros anos do atual mandato, não houve desapropriação de hectares. Em contraste, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi responsável pela maior parte das terras desapropriadas: mais de 10 milhões de hectares, número superior ao total registrado nos governos do PT, que somam cerca de 4,7 milhões.
A desaceleração da reforma agrária já vinha sendo observada desde o segundo mandato de FHC e se intensificou nos anos seguintes. Durante o governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, não houve desapropriações. A retomada só começou em 2025, ainda de forma tímida, com pouco mais de 13 mil hectares.
No atual governo, a estratégia tem priorizado outros mecanismos, como compra de terras, doações e regularização fundiária. Entre 2023 e 2026, foram incorporados cerca de 577 mil hectares por essas vias, com maior peso para aquisições diretas, enquanto a desapropriação ficou em segundo plano.
Além disso, o governo passou a destacar o número de famílias atendidas como principal indicador da política agrária. Em 2026, foi anunciado um pacote de R$ 2,7 bilhões com ações de crédito, habitação e criação de assentamentos. A expectativa, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, é ampliar as entregas ainda neste ano, apesar das críticas sobre a redução no uso de desapropriações.
Com informações do Poder360




