Foto: Ana Paula Paiva/Valor
A Polícia Federal ainda não encaminhou à CPMI do INSS o conteúdo extraído do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material está passando por uma triagem para separar exclusivamente informações relacionadas a operações de crédito consignado — foco da investigação parlamentar. Segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a limitação foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o compartilhamento parcial das provas no último dia 20.
A informação é da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A expectativa é que os documentos cheguem ao colegiado dentro de uma semana. Considerado peça central no suposto esquema bilionário envolvendo consignados, Vorcaro tem o conteúdo do aparelho cercado de tensão política. Parlamentares e integrantes do Judiciário acompanham o caso com apreensão diante do potencial impacto das revelações.
A decisão de Mendonça marcou uma reviravolta no caso. O compartilhamento das provas havia sido barrado anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, que determinou que o material ficasse sob guarda da presidência do Senado. Ao autorizar o envio à CPMI, Mendonça argumentou que a Constituição prevê cooperação entre instituições na apuração de ilícitos e na defesa do interesse público.
O caso ganhou novos contornos após Toffoli deixar a relatoria das investigações, depois que a PF enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório apontando possíveis conexões entre o ministro e Vorcaro. Entre os pontos citados está a negociação envolvendo o resort Tayaya, do qual Toffoli admitiu ser sócio.
A demora no envio dos dados tem provocado irritação na comissão, especialmente entre parlamentares da oposição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou o tempo de espera e afirmou que o colegiado “luta contra o tempo” para analisar o material antes que o calendário eleitoral intensifique ainda mais a disputa política em torno do caso.




