Vorcaro oferecia mulheres estrangeiras em festas para influenciar políticos, aponta PF

Um relatório da Polícia Federal entregue ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, descreve a existência de um suposto esquema sofisticado de corrupção envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e políticos.

De acordo com o documento, encontros realizados em ambientes de luxo, com consumo elevado de bebidas e presença de mulheres estrangeiras, faziam parte de uma estratégia para aproximar empresários e agentes públicos. Segundo a PF, a escolha de acompanhantes de outros países — como Suíça, Noruega, Suécia e Holanda — teria sido deliberada, com o objetivo de reduzir riscos de vazamento de informações e preservar o sigilo das reuniões.

O relatório aponta que esses eventos funcionariam como espaços informais para articulações políticas e empresariais, criando uma rede de influência junto a autoridades. A logística dos encontros, ainda segundo a investigação, teria sido planejada para garantir discrição e evitar a identificação dos participantes.

Apesar das revelações, a investigação enfrenta questionamentos jurídicos. Nos bastidores do Judiciário, ministros como Cristiano Zanin e Luiz Fux já teriam sinalizado preocupação com possíveis falhas formais na condução do inquérito, o que poderia levar à anulação de provas.

A estratégia de defesa de investigados, conforme avaliam fontes do meio jurídico, tem se concentrado na tentativa de invalidar o processo por questões técnicas, repetindo um padrão observado em outros casos de grande repercussão, como ocorreu na Operação Lava Jato.

O relatório da PF ainda está sob análise do STF, e não há decisão definitiva sobre a validade das provas. Enquanto isso, o caso reacende o debate sobre segurança jurídica, impunidade e a capacidade das instituições de responsabilizar envolvidos em esquemas de corrupção de grande escala.

Blog do Gustavo Negreiros

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