O Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN) começou a se preparar para aplicar as novas regras do exame prático de direção veicular, que passam a vigorar a partir da publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, divulgado neste domingo (1º) pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério dos Transportes. A autarquia dará início a um processo interno de atualização técnica e requalificação dos examinadores, etapa necessária antes de implementar na pista de testes os novos critérios de avaliação.
A mudança mais simbólica diz respeito ao fim da baliza como etapa isolada e eliminatória. O procedimento deixa de ser um obstáculo autônomo e passa a integrar apenas o estacionamento ao final do percurso. Embora continue sendo observado, o desempenho nessa manobra perde o caráter de reprovação imediata — sinal de que a prova passa a priorizar o comportamento do candidato em situações reais de circulação, e não apenas a execução mecânica de tarefas específicas.
Com a atualização, o centro da avaliação se desloca para o trajeto em via pública. Nesse percurso, o examinador observa a forma como o candidato lê o trânsito, reage às sinalizações, realiza conversões, faz mudanças de faixa e se relaciona com pedestres, ciclistas e outros veículos. A proposta é aproximar o exame das exigências cotidianas de condução, valorizando a capacidade de tomar decisões seguras em um ambiente dinâmico.
Outro ponto estruturante da nova metodologia é a reformulação da pontuação. As antigas faltas eliminatórias deixam de existir e dão lugar a um sistema baseado exclusivamente nas infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Cada infração recebe um peso proporcional à sua gravidade: leve (1 ponto), média (2), grave (4) ou gravíssima (6). O candidato será aprovado desde que não ultrapasse 10 pontos. Assim, pequenas falhas deixam de resultar automaticamente em reprovação, desde que o comportamento geral demonstre segurança e domínio do veículo.
O Detran/RN também reforça que permanece válida a possibilidade de realizar a avaliação com veículos de transmissão automática, desde que o automóvel esteja dentro das normas de circulação e equipado com todos os itens exigidos pela legislação. A opção pode representar maior segurança para candidatos que se sentem mais confortáveis com esse tipo de condução.
Diante das novas diretrizes, o órgão orienta os futuros condutores a concentrarem a preparação em práticas que reflitam responsabilidade e atenção. Familiaridade com os comandos do veículo, ajuste correto de banco e volante, uso adequado dos espelhos e das setas de sinalização, além de um comportamento seguro desde os primeiros metros do trajeto, são aspectos que influenciam diretamente a percepção do examinador.
A prática regular em vias públicas, acompanhada por instrutores ou condutores experientes, continua sendo essencial. O candidato deve se habituar a prever riscos, manter distância segura dos demais veículos e identificar corretamente a sinalização. A leitura adequada das condições de trânsito e o respeito contínuo às normas tendem a se tornar determinantes em um exame que, a partir de agora, busca avaliar mais do que habilidades técnicas isoladas: procura aferir a capacidade real de condução no cotidiano.




