Redução no preço da gasolina da Petrobras deve ter efeito limitado no RN

O reflexo da redução de 5,2% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras no Rio Grande do Norte depende do comportamento da cadeia de combustíveis do país e não deve ser expressivo. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a tendência é que as refinarias busquem reduzir os preços do combustível para manter a concorrência, mas a queda não necessariamente deve acompanhar o desconto da estatal.

A redução do preço da gasolina nas refinarias da Petrobras foi anunciada na última segunda-feira (26) e passou a valer nessa terça-feira (27). Com a decisão, o preço médio de venda da estatal para as distribuidoras passou a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, o que representa uma queda de R$ 0,14.

Segundo o economista Breno Roos, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a redução realizada pela Petrobras pode ser explicada por dois fatores: a estabilidade do preço do barril do petróleo no mercado internacional e a desvalorização do dólar. Isso porque o Brasil ainda apresenta alta dependência da importação de derivados do petróleo, ou seja, a baixa da moeda americana permite a compra desses combustíveis a um preço menor.

Ele esclarece que o reflexo da redução no mercado de combustíveis, por outro lado, depende do comportamento das refinarias para manter a concorrência no mercado. “[Existe] um efeito da concorrência. Um outro aspecto é como as distribuidoras vão fazer esse repasse, porque tem que olhar para toda a cadeia de distribuição de combustíveis: a refinaria passa para a distribuidora, que, por sua vez, passa para os postos. Então, essa avaliação do impacto na bomba depende do comportamento das distribuidoras”, completa o economista.

Breno Roos observa que a tendência é que a Refinaria Clara Camarão realize os ajustes nos preços para que não fiquem defasados ou muito acima dos praticados pela Petrobras. “No entanto, a Clara Camarão está mais focada mesmo na produção de outros derivados, principalmente o querosene de aviação. Ali ficou mais um terminal de escoamento e de recebimento de derivados já processados”, acrescenta.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos/RN), Maxwell Flor, compartilha uma perspectiva semelhante. Segundo ele, os impactos no Rio Grande do Norte não devem ser expressivos, pois a maioria dos postos do estado adquire a gasolina das distribuidoras que compram diretamente da Refinaria Clara Camarão.

Por ser uma refinaria privada, a Clara Camarão mantém a paridade dos preços internacionais, enquanto a Petrobras deixou de seguir a paridade dos preços do petróleo com o dólar e o mercado internacional. “No entanto, existe uma pequena parcela de postos e distribuidoras que adquirem combustíveis no estado da Paraíba e em Pernambuco. Com isso, eles terão essa oportunidade de comprar um combustível mais barato com essa redução e repassar esses preços para os postos”, aponta o presidente do Sindipostos/RN.

Embora as projeções realizadas por analistas apontem para uma redução de R$ 6,22 para R$ 6,08 no preço médio da gasolina ao consumidor no país, Maxwell Flor adverte que não é possível prever o valor que vai ser descontado no Rio Grande do Norte. Isso porque as definições dependem do elo de toda a cadeia do mercado de combustíveis.

“A refinaria da Petrobras repassa para as distribuidoras, mas as distribuidoras têm a liberdade de repassar, conforme suas planilhas de custo, esse desconto para os postos”, acrescenta o presidente do Sindipostos.

Os reflexos, de acordo com ele, devem começar a ser observados na próxima semana, mas dependem do estoque das distribuidoras. Aliado a isso, ele esclarece que há uma expectativa de ajuste nos preços pela Refinaria Clara Camarão, a fim de equilibrar com os preços praticados no mercado internacional.

Já o economista Janduir Nóbrega afirma que a redução nos preços finais deve ocorrer de forma gradual, sendo influenciada por fatores como estoques e renovação de compras das distribuidoras. “O que percebemos no mercado de combustível é que, quando os aumentos são para cima, eles se dão de forma quase que simultânea e automática. Quando essa relação é para baixo, ela acontece ao longo do tempo”, destaca.

Em relação aos reflexos das reduções no IPCA, Breno Roos destaca que ainda é cedo para afirmar que isso causará uma redução na inflação de fevereiro, mas a projeção para este ano é que a inflação fique em torno de 4%. Ele lembra que a economia brasileira está em um momento favorável, com baixo desemprego e inflação controlada, e a redução no preço do combustível tende a estabilizar ainda mais os preços.

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