Por Mateus Nácer – Os Libertários
O Brasil tem assistido, nos últimos meses, a revelações sobre a relação abjeta entre ministros do Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto e o Banco Central, órgão executor e fiscalizador do sistema financeiro nacional. Tais fatos não podem mais ser tratados como coincidência institucional. Estamos diante de algo muito mais grave do que falhas de transparência ou deslizes éticos pontuais. O que se revela é a degradação moral de uma elite de poder que parece ter perdido qualquer pudor diante da opinião pública.
Reuniões fora da agenda oficial, diálogos cruzados entre magistrados que deveriam zelar pela imparcialidade, integrantes do governo federal e autoridades do sistema financeiro: tudo isso forma um quadro alarmante e revoltante. Quando ministros que deveriam ser árbitros da Constituição passam a orbitar o Executivo e centros de poder econômico, o princípio da separação entre os Poderes deixa de ser uma cláusula constitucional e passa a ser uma peça de ficção.
O governo Lula, que prometeu “reconstrução democrática”, assiste — quando não participa — a um ambiente em que relações promíscuas são naturalizadas. A proximidade excessiva entre o presidente da República, figuras do Judiciário e interesses financeiros lança dúvidas legítimas sobre quem realmente influencia decisões estratégicas do Estado brasileiro. Não é diálogo republicano. É lobby disfarçado de institucionalidade.
A independência do Banco Central, tão alardeada como pilar de estabilidade, também fica sob suspeita quando surgem notícias de pressões políticas, conversas paralelas e articulações que nada têm de técnicas. O Banco Central não pode ser balcão de negociação política, muito menos espaço para atender interesses de grupos específicos sob o manto da autoridade ou sob a toga do poder paralelo.
Chega um momento em que a discussão deixa de ser jurídica e passa a ser moral. Não estamos falando apenas de normas, mas de caráter. O cidadão comum, que paga impostos e sofre com inflação, juros altos e insegurança econômica, assiste a tudo isso com indignação crescente. A sensação é clara: enquanto o povo aperta o cinto, uma casta poderosa age como se estivesse acima da lei, das instituições e da própria vergonha.
Nós, da direita, sempre alertamos para esse risco: quando o sistema se fecha em si mesmo, protegendo seus pares e criminalizando adversários políticos, a democracia deixa de servir ao povo e passa a servir ao poder. O que vemos hoje é a confirmação desse alerta.
Se o Brasil ainda leva a sério o Estado de Direito, essas relações precisam ser investigadas com rigor, transparência e independência. Sem blindagens. Sem narrativas convenientes. Sem corporativismo. Quem quer que tenha usado o cargo para influenciar decisões, pressionar instituições ou favorecer interesses alheios ao interesse público precisa responder nos termos da lei.
Não se trata de vingança política. Trata-se de justiça. E justiça verdadeira não combina com conchavos, bastidores escuros e acordos silenciosos entre os que se julgam intocáveis. A conta tem que chegar. E vai chegar!




