Foto: Gabriela Biló/Folhapress
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve para esta terça-feira (6) o início das discussões da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1. A abertura do debate ocorre em meio a uma forte articulação da base governista para blindar a medida contra os reflexos políticos do primeiro turno das eleições.
A redução da jornada é tratada pelo Palácio do Planalto como uma bandeira crucial para impulsionar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), faltando três semanas para a decisão eleitoral. Contudo, o cenário no Congresso mudou drasticamente. As sessões começam sob a pressão da vantagem de 2,3 milhões de votos conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, somada ao desempenho expressivo do PL, que elegeu 19 senadores e formará a maior bancada da Casa em 2027, com 28 parlamentares.
Negociações e estratégia de votação
Alcolumbre agendou inicialmente três sessões plenárias de discussão para esta semana, período que servirá como termômetro para medir forças entre o governo e a oposição. Para ser aprovada no plenário, a PEC precisa do voto favorável de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos.
O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou nesta segunda-feira (5) que o governo mantém o plano de votar e aprovar a proposta ainda esta semana. Segundo ele, o clima político “não mudou nada” e a eleição permanece em aberto. Guimarães deve se reunir com líderes partidários para tentar um acordo de abreviação dos prazos regimentais. Sem consenso, a proposta precisará cumprir o rito padrão de cinco sessões de debate antes da primeira votação.
Resistência empresarial e cálculo político
Do lado oposto, entidades empresariais dos setores de comércio, serviços e indústria iniciaram uma ofensiva junto aos parlamentares para esvaziar o quórum mínimo necessário. Para o empresariado, o bônus político de Lula com a aprovação da PEC perdeu força diante do resultado apertado nas urnas.
A conjuntura também altera o comportamento dos senadores. Com a maioria já reeleita, derrotada ou focada em eventuais segundos turnos para governos estaduais, a vulnerabilidade à pressão pública diminuiu. Na avaliação do líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), o governo está fragilizado e terá dificuldades para mobilizar quórum.
O fator Alcolumbre e a sucessão na Casa
A disputa em torno da jornada 6×1 também esbarra nos planos de sobrevivência política de Davi Alcolumbre, que busca a reeleição para a presidência do Senado em fevereiro. A nova mesa diretora será instalada já sob a correlação de forças de 2027, com um PL fortalecido cuja preferência para o comando da Casa é o senador Rogério Marinho (RN). Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, é um crítico declarado da PEC e defende um modelo de jornada flexível por acordo individual. Além disso, Alcolumbre sofreu um revés local ao não conseguir reeleger o governador do Amapá, Clécio Luiz, de seu grupo político.
Com informações da Folha de São Paulo



