Na madrugada de 23 de outubro de 2016, o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho saiu de São Paulo ao volante de uma Mercedes Benz apreendida pela PF, uso autorizado para fins pessoais, com a carteira de habilitação vencida há mais de um ano e placa fria no veículo.
Na Rodovia Raposo Tavares, em Sorocaba, colidiu na traseira da motocicleta do vigilante Francisco Lopes da Silva Neto, 38 anos, que voltava para casa após o turno noturno. O bafômetro atestou embriaguez. Francisco não sobreviveu. Deixou duas filhas. Marcelo Ivo pagou fiança de R$ 2 mil e foi para casa.
Indiciado por homicídio culposo com agravante de embriaguez, o delegado recorreu até o Superior Tribunal de Justiça tentando encerrar o processo, sem sucesso. Mas em setembro de 2020, após indenizar a família da vítima, a Justiça de São Paulo o absolveu por “falta de provas”. O processo transitou em julgado em outubro daquele ano.
Dois anos depois, foi nomeado superintendente regional da PF na Paraíba. Em março de 2023, já no governo Lula, tornou se oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, o posto mais estratégico da corporação nas Américas. Foi nessa função que atuou na prisão de Alexandre Ramagem na Flórida e acabou expulso pelos Estados Unidos. O país que o Brasil tentou usar como parceiro conheceu o delegado melhor do que esperava.




