O empresário Marcos Molina, que deu carona ao ministro do STF Gilmar Mendes, aparece em relatório de inteligência financeira envolvendo o Banco Master. Segundo o documento, a empresa ligada a Molina recebeu cerca de R$ 400,9 milhões do banco em um período de oito meses.
A movimentação foi analisada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que examinou entradas e saídas da companhia entre julho de 2024 e março de 2025. No total, cerca de R$ 38 bilhões circularam nas contas da empresa nesse intervalo.
Movimentações e apontamentos
O relatório aponta que os repasses do Banco Master estão entre os valores mais relevantes recebidos pela empresa no período. As transferências ocorreram em três etapas:
- R$ 101,6 milhões entre julho e agosto de 2024;
- R$ 282,5 milhões entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025;
- R$ 16,7 milhões entre fevereiro e março de 2025.
Na análise global, o Coaf indicou situações como “movimentação em benefício de terceiros sem causa aparente”, além de transações em espécie com indícios de fracionamento e créditos seguidos de débitos imediatos sem justificativa aparente. O documento, porém, não detalha quais operações específicas motivaram os alertas.
Relação com o caso
Molina é fundador da Marfrig, empresa que se fundiu com a BRF em 2025, formando a MBRF. Ele preside o conselho de administração da companhia.
O empresário também foi citado após ter oferecido carona ao ministro Gilmar Mendes em um avião da empresa Prime You, que tinha como sócio o banqueiro Daniel Vorcaro. O voo ocorreu em 1º de janeiro de 2025, entre Diamantino (MT) e Brasília.
Segundo Gilmar Mendes, a carona foi aceita sem conhecimento da ligação da aeronave com Vorcaro.
Posicionamento da empresa
Em nota, a MBRF informou que realiza operações de câmbio com diversas instituições financeiras para recebimento de exportações, incluindo o Banco Master. A empresa afirmou que:
- não possuía conta corrente no banco;
- não realizou investimentos ou intermediações financeiras com a instituição;
- os valores recebidos foram transferidos diretamente para contas em outros bancos.
A companhia também declarou que refuta qualquer interpretação diferente sobre as operações, classificando-as como regulares no contexto de exportações.
Com informações do Estadão




