Empresário que deu carona de Gilmar Mendes recebeu R$ 400 milhões do Banco Master, diz Coaf

Foto: Antonio Augusto/STF

O empresário Marcos Molina, que deu carona ao ministro do STF Gilmar Mendes, aparece em relatório de inteligência financeira envolvendo o Banco Master. Segundo o documento, a empresa ligada a Molina recebeu cerca de R$ 400,9 milhões do banco em um período de oito meses.

A movimentação foi analisada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que examinou entradas e saídas da companhia entre julho de 2024 e março de 2025. No total, cerca de R$ 38 bilhões circularam nas contas da empresa nesse intervalo.

Movimentações e apontamentos

O relatório aponta que os repasses do Banco Master estão entre os valores mais relevantes recebidos pela empresa no período. As transferências ocorreram em três etapas:

  • R$ 101,6 milhões entre julho e agosto de 2024;
  • R$ 282,5 milhões entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025;
  • R$ 16,7 milhões entre fevereiro e março de 2025.

Na análise global, o Coaf indicou situações como “movimentação em benefício de terceiros sem causa aparente”, além de transações em espécie com indícios de fracionamento e créditos seguidos de débitos imediatos sem justificativa aparente. O documento, porém, não detalha quais operações específicas motivaram os alertas.

Relação com o caso

Molina é fundador da Marfrig, empresa que se fundiu com a BRF em 2025, formando a MBRF. Ele preside o conselho de administração da companhia.

O empresário também foi citado após ter oferecido carona ao ministro Gilmar Mendes em um avião da empresa Prime You, que tinha como sócio o banqueiro Daniel Vorcaro. O voo ocorreu em 1º de janeiro de 2025, entre Diamantino (MT) e Brasília.

Segundo Gilmar Mendes, a carona foi aceita sem conhecimento da ligação da aeronave com Vorcaro.

Posicionamento da empresa

Em nota, a MBRF informou que realiza operações de câmbio com diversas instituições financeiras para recebimento de exportações, incluindo o Banco Master. A empresa afirmou que:

  • não possuía conta corrente no banco;
  • não realizou investimentos ou intermediações financeiras com a instituição;
  • os valores recebidos foram transferidos diretamente para contas em outros bancos.

A companhia também declarou que refuta qualquer interpretação diferente sobre as operações, classificando-as como regulares no contexto de exportações.

Com informações do Estadão

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