Empresário admite fraude bilionária no INSS e cita políticos como base do esquema

Foto: Reprodução

O empresário Maurício Camisotti confessou à Polícia Federal ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Preso na Operação Sem Desconto, ele firmou acordo de delação premiada e detalhou o funcionamento de entidades que, segundo ele, eram usadas para aplicar descontos indevidos em benefícios.

De acordo com o depoimento, três associações foram criadas para viabilizar o esquema: AMBEC, CEBAP e UNSBRAS. Camisotti afirmou que as organizações atuavam diretamente na captação irregular de recursos, atingindo milhares de beneficiários. As investigações já apontam que o rombo total pode ultrapassar R$ 6 bilhões.

A delação também lança suspeitas sobre o meio político. O empresário citou como peças importantes para sustentação do esquema o senador Weverton Rocha e os deputados federais Euclydes Pettersen e Maria Gorete Pereira. Segundo ele, parlamentares recebiam mesadas que giravam em torno de R$ 50 mil mensais para facilitar o acesso a sistemas do INSS e indicar aliados para cargos estratégicos.

A apuração da PF aponta ainda que outros investigados já articulam acordos de delação, o que pode ampliar o alcance do caso. Entre eles estão ex-integrantes do próprio INSS e pessoas próximas ao núcleo do esquema. A expectativa é de que o acordo de Camisotti seja analisado pelo ministro André Mendonça nos próximos dias, enquanto a defesa tenta converter a prisão em domiciliar.

Em nota, Weverton Rocha negou qualquer ligação com o empresário e afirmou desconhecer os fatos. Já Euclydes Pettersen classificou as acusações como “narrativas infundadas”, sem provas, e disse que o delator apenas repete informações divulgadas pela imprensa. Até o momento, os citados rejeitam envolvimento no esquema, que segue sob investigação.

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